Fisioterapeuta do Montijo trata vedetas do desporto em Espanha

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Tiago Martins trata de alguns dos maiores vultos mundiais do desporto. Mas foi pelas “mãos de ouro” do pai que o sucesso nasceu. “Em Espanha há muito medo de contágio e também da crise que venha por aí”, diz sobre a Covid-19

 

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Tiago Rocha Martins nasceu há 33 anos no Montijo e viveu com os avós e o tio paternos quase década e meia no Samouco, vila que visita todos os meses. Vem de Espanha, onde montou vida, seguindo as pisadas do falecido pai, Hélder Martins, antigo fisioterapeuta reconhecido internacionalmente no meio futebolístico pelo “toque de ouro” de umas mãos milagrosas que recuperaram vezes sem conta vários craques para a acção, no CD Montijo, no Sporting, no Atlético de Madrid, na principal Selecção Portuguesa.

Hélder Martins deu nome a rua no Samouco

Tiago formou-se em Fisioterapia com 22 anos e herdou aquele “toque de Midas”, que lhe permite manter viva a chama do renomado clã Martins em terras de “nuestros hermanos”, um dos países mais fustigados pelos efeitos nefastos da pandemia Covid-19.

A situação no país vizinho ainda é extremamente preocupante, o confinamento obrigatório mantém-se, porém o primeiro ensaio de regresso a uma nova normalidade da actividade económica já foi iniciado pelo governo, confirma o jovem fisioterapeuta.
“Na passada segunda-feira foi possível o regresso ao trabalho em alguns sectores, como o da construção civil mas em espaços abertos”, começa por dizer o português, sobre a actualidade espanhola. Apesar deste regresso condicionado de algumas actividades, o sentimento mais comum entre a população é, para já, o de “enorme receio”.


“Há muito medo de contágio e também de uma crise muito grande que venha por aí”, afirma Tiago, que reside em Majadahonda, Madrid, adiantando: “Os espanhóis são muito de ir ao café, de se juntarem, mas estão fechados em casa e não é fácil. É raro ver-se um carro na rua.”

Os autocarros de passageiros “têm 40 lugares mas só podem transportar 20 pessoas”. O Hospital La Paz, aponta, “estava a abarrotar” nesta quarta-feira.

Tal como em Portugal, formam-se “filas às portas das superfícies comerciais e só entra um limite de pessoas, que varia de estabelecimento para estabelecimento, consoante as que vão saindo”. Todavia há sempre diferenças. “À entrada são as próprias unidades comerciais que disponibilizam luvas e gel desinfectante aos clientes”, sublinha.

Craques na clínica

Tiago pôde reabrir na última terça-feira a Clínica Martins, que inaugurou “há cinco anos” em Pozuelo, perto de Las Rosas. “Neste momento podemos apenas tratar pacientes em estado de urgência e de acordo com todas as medidas de segurança exigidas.”


Este já é o terceiro estabelecimento clínico especializado em medicina desportiva que assegura.

“Primeiro continuei com a clínica do meu pai. Tornou-se pequena e abri uma, já bastante grande, com um médico do Atlético de Madrid e o podólogo do Real Madrid. Agora tenho esta, a terceira”, conta, sem esconder satisfação pelo “bom percurso” realizado até ao momento. E não é para menos. Afinal, o leque de desportistas sonantes que depositam total confiança nas suas mãos alarga-se cada vez mais.

Tiago com Saul Ñiguez do Atlético de Madrid

O antigo futebolista montijense, que em Portugal alinhou pelo CD Montijo e pelos três “grandes” – só faltou vestir a camisola do “enorme”, leia-se Vitória –, está, de resto, intimamente ligado à história do sucesso dos Martins em Espanha.

“Foi o Futre, quando chegou ao Atlético e se deparou com o massagista de cigarro na boca a fazer massagens, que pediu ao saudoso presidente Jesús Gil y Gil para que fosse contratar o meu pai ao Sporting”, lembra Tiago, realçando de seguida: “E foi o meu pai que recuperou o Paulo, quando todos os médicos davam o caso como perdido, permitindo que pudéssemos ver o génio à solta pelos relvados ainda por mais um bom período, até ele se retirar.”

Embora nunca se sentisse imigrante – “respondo sempre ao espanhol mais duro: ‘o meu país é Espanha, mas Portugal é a minha Pátria’, vinca –, o jovem fisioterapeuta tem o sonho de poder vir a estabelecer-se definitivamente em solo luso. Mas, para já, admite que “ainda é cedo”. Além disso, vai impedindo a espreitadela da saudade, uma vez que não perde uma oportunidade para se agarrar ao volante e regressar às origens, ao Samouco.

“Uma vez por mês vou ver a família. Neste momento as fronteiras estão fechadas. Só dia 15 de Maio é que poderei voltar”, conclui.

James Rodríguez fintou clínicos do Real e chamou o português

Episódios vividos no decorrer do percurso profissional, Tiago Martins confessa ter registado vários. Mas prefere destacar um que teve como protagonista o internacional colombiano James Rodríguez.

“Foi na véspera de um importante jogo da Liga dos Campeões. O James sabia que ia ser titular e telefonou-me a queixar-se de uma lombalgia. Ele não queria dizer nada ao staff clínico do clube com receio de poder ficar de fora. Fui ter com ele ao hotel onde estava a equipa, com uma segurança apertadíssima como é normal, acalmei-o e administrei-lhe um tratamento”, recorda. “Mas quem acabou com os nervos em franja e a rezar para que ele conseguisse jogar fui eu. Ele depois jogou, encheu o campo, marcou e o Real ganhou”, finalizou.

 

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