Barreiro recebe duas propostas de 5 milhões de euros para Quinta do Braamcamp

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Calatrava Grace e Saint Germain disputam Quinta do Braamcamp. Autarquia barreirense afirma-se contente com as duas propostas

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A Câmara do Barreiro acabou de receber duas propostas “acima de cinco milhões de euros”, das empresas Calatrava Grace e Saint Germain, para a alienação da histórica Quinta do Braamcamp, na zona ribeirinha do concelho.

A autarquia ainda não tem conhecimento das diferenças entre as duas propostas, mas o vereador do Planeamento, Rui Braga (PS), adiantou à Lusa que será um júri a “avaliar o mérito” nas próximas semanas.

“O júri é composto pelo director de departamento de urbanismo da câmara municipal e convidámos também dois professores da Universidade de Arquitectura de Lisboa para avaliá-las. São dois membros independentes nomeados pela faculdade para nos dar alguma isenção”, explicou.

Segundo o município, a Calatrava Grace é a empresa do arquitecto e engenheiro espanhol que projectou a Gare do Oriente, em Lisboa, e a Saint Germain, com sede em Leiria, “é especializada na compra e venda de bens imobiliários”.

“Ter duas propostas de investimento avultado no meio desta crise toda é de salientar, e nós estamos obviamente contentes por haver o interesse de duas empresas”, frisou o vereador.

A venda daquele terreno foi anunciada no início de 2019 pela Câmara do Barreiro, liderada por Frederico Rosa (PS), justificando que os 21 hectares na zona ribeirinha se encontravam sem utilização e que não se sabia quando haveria verbas para o requalificar.

Na semana passada, uma plataforma cidadã que está contra o projecto revelou que a venda da Quinta do Braamcamp estava suspensa devido a uma providência cautelar que foi aceite pelo Tribunal Administrativo de Almada (Setúbal).

“A providência cautelar suspenderá todo e qualquer acto de execução da deliberação de venda da Quinta do Braamcamp, designadamente a recepção de propostas da hasta pública”, indicou a Plataforma Cidadã Braamcamp é de Todos, em comunicado.

No entanto, Rui Braga avançou que o processo já não se encontra interrompido porque o município entregou ao tribunal uma “declaração fundamentada onde alega a não-persecução com o acto de lesão de interesse público”.

“Nós continuamos com a nossa posição de sempre, para além de considerarmos que é um projecto estruturante para o Barreiro e também para a Área Metropolitana de Lisboa, que não configura nenhum lesar de interesse público”, afirmou.

Para a plataforma, a quinta deveria ser um “bem comum” e de “usufruto de toda a população”, preservando o património histórico e natural.

No entanto, segundo uma sondagem divulgada pela Câmara do Barreiro, em Junho do ano passado, 76,5% dos munícipes “concordaram com a alienação dos terrenos”.

“Não só os barreirenses querem, como será importante para a Área Metropolitana de Lisboa receber um projecto desta dimensão, que, aliás, protege tudo aquilo que tem a ver com o respeito ambiental, onde nós obrigamos que sejam incluídas medidas de combate às alterações climáticas, nomeadamente à subida das águas do mar”, indicou.

Além disso, defendeu que o investimento “poderá ser um factor determinante para inverter o ciclo de perda de população que o Barreiro tem vindo a ter ao longo dos últimos anos”.

Segundo a autarquia, apenas 5% do terreno deverá ser utilizado para “construção de habitação”, enquanto os restantes 95% devem ser constituídos por zonas desportivas, espaços verdes e de lazer.

A quinta foi fundada pela família holandesa Braamcamp, num terreno com grande diversidade de fauna e flora, onde actualmente ainda permanece o maior moinho de maré do concelho e vestígios de dois palacetes, assim como da antiga fábrica da Sociedade Nacional de Cortiça.

 

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