Há mais movimento comercial, mais automóveis, mais sorrisos

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Apesar da incerteza com a pandemia, já se sente alguma confiança nas ruas, mesmo assim há lojas que não reabriram

 

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São 10 horas da manhã, e estamos na Torre da Marinha, parte importante da comunidade arrentelense. Vive-se o primeiro dia do estado de calamidade, depois de termos atravessado semanas, que a muitos pareceram infindáveis, em estado de emergência.

Há mais movimento nas ruas, e esta simples entrada num novo ciclo, ainda que muito semelhante ao anterior, parece ter tornado as pessoas que deambulam ao ar livre mais desenvoltas, mais afoitas e confiantes. Ter-se-ia afastado delas aquela incerteza que lhes desfigurava os sorrisos e lhes acautelava as palavras? Há também mais gente com máscaras de protecção, mas também alguma que delas continua a prescindir.

A primeira novidade é que voltaram a surgir lugares de estacionamento, coisa impensável ainda na sexta-feira passada. Este um sinal evidente de que muitas pessoas retomaram as suas rotinas laborais ou enveredaram por outras, que as obrigam a pegar no carro para as cumprirem.

Gente ainda sem máscara

A farmácia sempre esteve aberta, como se sabe, mas agora com menos clientes. Na tabacaria “PopArt”, a meio da rua Luís de Camões, um cliente sem máscara. A dona do estabelecimento facilita. “Há ainda muitos clientes que não sabem que é preciso, embora a televisão não se canse de passar a recomendação. Amanhã, já todos trarão máscara, penso eu”, comenta a proprietária da tabacaria.

No entanto, no domingo de manhã, o segurança de uma grande superfície comercial vedava a entrada a quem não tivesse máscara posta, e ninguém o demovia do cumprimento dessa determinação.

Há tabacarias que só hoje abriram, como o fizeram também as lojas dos chineses, as de ferragens e os cabeleireiros. Estes, mesmo os que funcionam em pequenos espaços, só atendem depois de marcação prévia por telefone ou correio electrónico. Está escrito na porta. Todavia, há pequenos estabelecimentos que, podendo fazê-lo por lei, ainda não abriram, se é que vão reabrir algum dia.

Não há fila para a frutaria que tem porta aberta junto da tabacaria porque foi organizado o comércio de modo a tirar do passeio as muitas pessoas que aguardavam a sua vez. Por sua turno, as empregadas da padaria, que também serve café para trazer para a rua em copo de cartão prensado, começaram a usar máscara, ainda que mantendo o restante ritual: só duas pessoas no interior do estabelecimento, enquanto as outras esperam no passeio mantendo a devida distância de segurança sanitária.

Baixar os braços, nunca!

As oficinas de automóveis não suspenderam a actividade, encarando o futuro, a partir de hoje, com mais esperança. “Até aqui, o movimento foi quase nenhum”, afirma o proprietário de uma delas. “Levámos um rombo muito grande, mas tenho esperança de que as coisas se componham a partir de agora. Baixar os braços é que não!” Os serviços oferecidos pela oficina são os mais diversos: reparação, chapa, pintura, mecânica, pré-inspecção, lavagem…

Poucos metros à frente, o dono de uma loja de consumíveis informáticos não se queixava do regime de confinamento. “Estive sempre aberto e reconheço que o movimento foi acima do normal, o que se compreende. As pessoas fechadas em casa recorrem muito mais às novas tecnologias para preencherem o tempo e, portanto, gastam mais tinteiros e outros consumíveis”, diz Nélson Belchior, que encara o futuro com optimismo.

Por entre todas estas actividades, umas a relançar-se, outras a tentar equilibrar-se outras ainda em busca de novos caminhos. Negativo foi o que se passou frente à Estação dos Correios da Torre da Marinha onde mais de 20 pessoas esperavam na rua a sua vez para serem atendidas.

Por José Augusto

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