Nova urgência do São Bernardo começa hoje a ser instalada

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O director do Serviço Infecciologia do Centro Hospitalar de Setúbal diz que o concelho tem conseguido dar boa resposta ao Covid-19

 

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O Hospital de São Bernardo começa hoje a instalar uma segunda urgência. Esra é dedicada a doentes respiratórios, e também a suspeitos de estarem infectados com Covid-19. Quanto à urgência já existente, volta a funcionar como antes da pandemia se instalar.

A notícia do arranque desta obra foi avançada em entrevista a O SETUBALENSE pelo coordenador da Comissão de Contingência do Hospital de São Bernardo no combate ao Covid-19, que refere que o projecto das novas instalações vai ter em conta a aprendizagem adquirida com esta crise pandémica.

“O Ministério da Saúde e outros responsáveis do sector têm de tirar lições desta pandemia. Seria criminoso não o fazer”, diz José Poças, também director do Serviço de Infecciologia do Centro Hospitalar de Setúbal. No caso do edifício em instalação, entre os novos procedimentos a serem considerados, “vão ser implementados dois espaços diferenciados para separa o tipo de doentes”, revela.

Para o infecciologista, estes últimos 45 dias de luta contra o novo coronavírus foram de grande aprendizagem e uma maior consciencialização de que estes vírus são cíclicos. “Esta não será a última pandemia, por isso é bom que as pessoas planeiem o futuro”, comenta, ao mesmo tempo que refere que em Setúbal, “chegou-se a esperar um cenário pior”.

Mas, “felizmente”, o concelho “regista uma baixa prevalência da doença comparativamente com outros concelhos”, afirma José Poças. Este tem sido o cenário e, na segunda-feira, os números que dispunha indicavam dez doentes internados em São Bernardo, e três em cuidados intensivos. Este são números referentes a hospitalização, porque os publicados pela Direcção-Geral da Saúde ontem, apontam 63 casos confirmados no concelho.

Agora “há que aguardar como a situação evolui com esta fase de estado de calamidade e com o plano de desconfinamento”, aprovado em Conselho de Ministros.

Certo é que até agora pelas enfermarias e cuidados intensivos do Hospital de Setúbal “têm passado muitos doentes suspeitos da doença, e são internados”, refere o director de Infecciologia, mas também se tem verificado que “só uma minoria tem confirmado positivo”. Um dado que não deixa de preocupar porque os testes “têm uma baixa sensibilidade e, por vezes, mesmo repetidos, dão negativo apesar do quadro clínico e imagiológico ser suficiente para haver suspeita do doente indiciar a doença”.

Para José Poças só com a “introdução dos testes serológicos vamos conseguir confirmar estes casos como positivos”.

 

Centro de triagem do São Bernardo passa para Vale de Cobro

 

Entretanto, a grande maioria das análises estão a ser feitas por laboratórios fora do hospital, por prestadores externos, sendo as pessoas encaminhadas pelos serviços de saúde. O que se sabe é que, diariamente, estão a ser recolhidas mais de quatro dezenas de amostras. Ao mesmo tempo, está a ser reorganizada a colheita para os testes na unidade hospitalar, sendo que a 11 de Maio o centro de triagem que está a sedeado em São Bernardo vai ser deslocalizado para o Centro de Saúde de Vale de Cobro, em parceria com o ACES.

Isto vai permitir que no Hospital de Setúbal sejam libertados espaços que foram ocupados para dar resposta aos circuitos respiratórios. “Chegámos a ter quatro enfermarias dedicadas aos doentes com Covid-19”, diz José Poças que comenta ter sido difícil dar resposta quando na unidade estiveram, em simultâneo, quatro doentes ventilados e oito com relatório positivo para o novo vírus.

Com quase todos os doentes infectados que estão, ou passaram, pelo São Bernardo, referenciados da área de influência do Centro Hospital de Setúbal – Setúbal, Palmela e Sesimbra -, indica o infecciologista que a maioria dos casos são de pessoas com mais de 70 anos, mas também diz que, apesar de em minoria, existem casos de pessoas mais novas infectadas. Mais tranquilizador é a indicação em idade pediátrica, em que apesar de existirem suspeitas, nenhum caso foi confirmado. “Nesta faixa etária a doença indica ser menos grave”, afirma José Poças.

 

Por Humberto Lameiras e Ana Martins Ventura

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