Restaurantes reabrem confiantes que clientes de sempre vão estar de volta

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Depois de mais de dois meses de porta fechada, Fátima e Eurico têm fé que o negócio comece a andar

Dois meses de portas fechadas causou estragos nas contas dos pequenos e médios restaurantes. Há optimismo na reabertura

 

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Duas semanas depois de postas em prática as primeiras medidas de desconfinamento, entrámos na II fase em direcção a uma vida normal.
Nesta segunda-feira, puderam voltar a abrir as lojas, até 400 metros quadrados de superfície, cafés, restaurantes e pastelarias, – com lotação máxima de 50% -, bem como esplanadas. Os lares, monumentos, museus e palácios tornaram a abrir portas aos visitantes. Também retornaram às aulas presenciais os estudantes do 11.º e 12.º anos..

Como será a vinda à superfície?

Também as creches estão prontas a retomarem a actividade, assim os pais o queiram, enquanto o pré-escolar fica para Junho. As autoridades também determinaram, sexta-feira passada, que as feiras, excepto as de diversão, e os mercados podem funcionar, ainda que “devendo para tal existir um plano de contingência”. Há um sopro a reforçar a esperança nas nossas vidas.

Mas como decorrerá esta vinda à superfície, depois de um mergulho de semanas na incerteza? O SETUBALENSE esteve ontem, à hora de almoço, num dos pequenos restaurantes que pontilham os centros populacionais do país. A tia Fátima e o Eurico são os donos do sugestivo “Fusão de Sabores”, situado na Praça Central da Torre da Marinha, no Seixal, que serve os pratos mais populares do nosso país e de Cabo Verde. O nome será uma homenagem às suas origens.

Ontem, primeiro dia de porta aberta em tempos de pandemia, as honras da mesa foram para o bacalhau com grão, “porque o é sempre à segunda-feira”, explica a tia Fátima.
No entanto, ao longo da semana, pelo “Fusão de Sabores” desfilam delícias como cachupa, dobrada ou canja da casa, cujo segredo de confecção está fechado na alma da tia Fátima. Durante a tarde, são os petiscos que se assenhoreiam do espaço, e esses variam ainda mais: asas de frango fritas, couratos, bifanas e, dentro de dias, caracóis, como não podia deixar de ser nesta região do país, além daqueles que todos recordamos e comemos com o prazer da primeira vez, mas com o mesmo sentimento de pecado porque ainda temos presente a razão do médico.

O português é confraternizador

Fátima e Eurico Gomes estão à frente do restaurante desde 5 de Outubro de 2019. Têm como clientes, na sua grande maioria, trabalhadores e reformados, muitos mais homens de que mulheres. Encontravam-se, portante, no período de “fazer casa”, pelo que os condicionalismos impostos pelo covid-19 fizeram os seus estragos. “Claro que tivemos de arcar com as despesas fixas, como a água, energia eléctrica, comunicações, seguro, alarme”, sublinham. “Tivemos as portas fechadas durante dois meses, sem um cêntimo a cair na caixa”. Todavia, a Fátima mostra-se confiante: “Não tenho medo de perder os meus clientes, tenho é medo que eles tenham medo de sair à rua”, confessa”. Mas ambos sabem que o “português é um homem de contactos e afectos, confraternizador por natureza, e isso é coisa que não se pode ser em isolamento”.

Os ponteiros do relógio indicam as treze horas. A tia Fátima está satisfeita com a afluência, para mais tratando-se do primeiro dia. As mesas estão à distância regulamentar, os clientes que não estão ainda servidos mantêm as máscaras, há uma embalagem de desinfetante à espera de quem entra e de quem sai. O grão-de-bico com bacalhau está à maneira e o dia luminoso, soalheiro, associando-se a esta explosão de esperança.

Por José Augusto

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