“Felizmente ainda existe procura e consumo no sector do vinho”

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A sócia gerente da Casa Ermelinda Freitas deixa, porém, as contas para depois. O produto vai saindo e a prioridade, para já, “são as pessoas”

Os efeitos da pandemia fizeram-se sentir em todos os sectores, obrigando a algumas alterações nos mais diversos domínios. E o dos vinhos não foi excepção, admite Leonor Freitas, sócia gerente da Casa Ermelinda Freitas.

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“Não podemos dizer que está tudo igual como antes. Vamos continuando a laborar e a vender, sobretudo, os vinhos mais económicos. Felizmente ainda existe procura e consumo no sector do vinho”, afirma a responsável, reforçando: “A Casa Ermelinda Freitas, gerência e colaboradores continuam unidos para nos mantermos a trabalhar, agradecendo assim aos consumidores a ajuda que têm dado ao adquirir os nossos vinhos.”

Para já, há algo bem mais importante do que apurar os resultados do impacte do flagelo da Covid-19 nas receitas da empresa. As contas fazem-se no fim. “Neste momento a minha grande preocupação é a saúde dos nossos colaboradores bem como tomar todas as medidas para que cada um deles seja um agente de saúde, pois queremos continuar a laborar. Depois logo farei outros levantamentos e recolha de dados. Quando estivermos bem lutaremos pela economia, agora vamos lutar pelas pessoas”, garante.

Nem mesmo a eventualidade da produção não estar a ser escoada ao ritmo previsto ou de acordo com as expectativas faz com que Leonor Freitas se afaste um milímetro da estratégia adoptada na actual conjuntura. Um plano B, a ser necessário, estará reservado para depois. “Por enquanto temos de agradecer aos consumidores que nos têm ajudado a ir escoando o que se vai laborando, bem como a preferência pelos vinhos da Casa Ermelinda Freitas. Enquanto isto acontecer iremos manter a nossa estratégia.”

Quanto à colheita deste ano, quer no que diz respeito ao número de trabalhadores que possa vir a reunir quer no que toca ao escoamento do produto, é prematuro fazer previsões. “Ainda é muito cedo. Neste sector sempre se diz que até ao lavar dos cestos é vindima. No fundo, isto quer dizer que cada dia vai ser um dia pois ainda temos muitos dias pela frente, de Sol, calor e chuva até pôr as uvas na adega”, lembra, adiantando: “O que se prevê, perante os acontecimentos actuais, é que vai ser uma colheita normal e nada mais consigo antecipar pois o futuro ninguém o sabe.”

Responsabilidade social

Paralelamente, face ao cenário que se vive, a Casa Ermelinda Freitas voltou, mais uma vez, a dar um exemplo de responsabilidade social e solidariedade. Numa parceria com o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) tem vindo a dedicar-se também à produção de álcool gel e viseiras.

É nas instalações da empresa vitivinícola que decorre o fabrico de seis mil litros de álcool gel.

“É um trabalho de grande colaboração com o IPS, de que me orgulho muito, porque nesta fase as preocupações devem estar centradas nas pessoas, depois nas pessoas, e ainda nas pessoas”, considera Leonor Freitas.

O produto vai ser distribuído em hospitais e IPSS do distrito, mas também a agentes de protecção civil e estabelecimentos prisionais. Além do álcool gel, a Casa Ermelinda Freitas apoiou também a produção de 2 500 viseiras, também em articulação com o IPS.
A gerente explica como surgiu a ideia de produzir o material de desinfecção e de protecção.

“Nasceu da necessidade que a Casa Ermelinda Freitas sentia que havia na sociedade e no mercado, devido à grande procura de álcool gel. Nós próprios tínhamos dificuldades em adquirir e o que encontrávamos estava com um preço muito alto.”

Ao mesmo tempo, a responsável sentia também “grande necessidade de colaborar com as instituições mais desfavorecidas, lares, prisões, e outras instituições carenciadas de idosos” que não conseguiam ter acesso ao produto. “Mãos à obra e temos o álcool, mas não sabemos como fazer o gel…”, recorda. Foi nessa altura, de dilema, que o presidente do IPS “telefonou” a Leonor Freitas “para saber se a Casa Ermelinda Freitas tinha álcool para dispensar”. Sabiam como fazer, mas não tinham o álcool necessário.

“O IPS forneceu todo o seu conhecimento e parte química para o processo de concepção, a Vinisol vendeu o álcool a preço muito barato, tendo sido assim possível criar esta conjugação de esforços que permitiram uma grande aprendizagem em prol da nossa sociedade e, assim, ajudar todos os que necessitam”, conta.

Já o processo das viseiras estave em marcha no IPS. Mas era “necessários mais recursos”. A Casa Ermelinda Freitas “deu um donativo para ajudar a aumentar a produção, existindo também mais empresas na região a contribuir para esta causa”.
“Não há dúvida que juntando vontades, saberes, colaboradores podemos ser solidários e com um pequeno gesto ser uma grande mudança e ajuda para a vida das pessoas e instituições”, resume Leonor Freitas, a concluir.

Criação de nova linha na empresa descartada

O projecto conjunto com o IPS para produção de álcool gel mostrou outra vertente da capacidade e possibilidade de aproveitamento de recursos por parte da produtora vitivinícola. Porém, uma eventual aposta na produção do material desinfectante, enquanto nova linha de laboração no futuro, é descartada.

“Ser uma nova linha de laboração, nunca será. Não é a nossa área fazer álcool gel. Foi feito por uma necessidade sentida de responsabilidade social, dando à mesma um produto que muita falta fazia. O foco principal da Casa Ermelinda Freitas é fazer sempre os melhores vinhos, ao melhor preço, para poder satisfazer os seus consumidores”, sublinha.

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