Pais e professores consideram que telescola não favorece “alunos com necessidades especiais”

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Margarido Pato assume que enfrentou “um enorme desafio” nos últimos três meses para manter o filho em frente ao ecrã

 

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O regresso ao interior das escolas está ser feito gradualmente, primeiro com os alunos do 3º ciclo, agora no pré-escolar, mas para os alunos do ensino especial, o regresso a uma escola diferente ainda traz muitas dúvidas. Pais e professores consideram que ensino à distância tem vindo a desfavorecer alunos com necessidades educativas especiais.

Para Margarida Pato, mãe e encarregada de educação de Martim Pato, “estes últimos três meses têm sido um enorme desafio”. A frequentar “uma turma de ensino regular” na Escola Básica Luísa Todi, Martim Pato “é uma criança de 12 anos com um atraso na aprendizagem no geral devido uma paralisia cerebral não profunda”. Apesar de se encontrar no 5º ano de escolaridade, o aluno “não sabe muito bem ler e escrever”, sendo esta a grande prioridade da mãe.

“Os professores do Martim, os das respectivas disciplinas e a professora de educação inclusiva, nesta parte não estão muito empenhados, pois têm vindo a desenvolver outros tipos de trabalhos”, revela Margarida Pinto, acrescentando que, em alternativa, “preferia que ele não tivesse de assistir às aulas online, por estas não lhe dizerem nada”.
“Os professores insistem que ele deve acompanhar para não se esquecer dos amigos, para ir aprendendo e para seguir o programa que está previsto, mas ele acaba por se fartar de estar em frente ao computador, quer desligá-lo e não quer estar a assistir à aula”, afirma.

Para a encarregada de educação, o “método que abordou seria suficiente”. “Deveria de estar a trabalhar com ele como já o estava a fazer, trabalho este que é ler textos. Mas, por não ser possível dedicar-se a tempo inteiro como gostaria, considera que “a professora adaptou-se e já envia trabalhos mais adequados à sua aprendizagem”. “Acredito que a situação também seja complicada para os professores, que também se foram adaptando ao longo dos últimos meses”.

Uma das principais preocupações dos professores para esta nova realidade recai, precisamente, sobre os alunos que frequentam a educação inclusiva. Com dois alunos com necessidades educativas especiais, Zita Eduardo, professora do 1º ano na EB-JI do Montalvão, em Setúbal, afirma que “estes alunos ficam claramente mais desfavorecidos pois alguns pais não têm a agilidade de os colocar atentos a olhar para um ecrã”.

Sendo estas crianças as que mais necessitam de contacto humano e de estímulo visual, a professora, em colaboração “com uma docente de educação inclusiva”, dedica um pouco mais de tempo a apenas um dos seus alunos com necessidades educativas especiais. “Esta professora mantém também contacto com a turma toda porque a inclusão é isso mesmo: é todos estarmos incluídos na aprendizagem”, reforça.
Para colmatar as suas necessidades, Zita Eduardo elaborou um plano de trabalho durante o ensino à distância “tendo em conta as suas especificidades”, mas reforça que “este método nunca poderá ser o mais indicado, principalmente numa faixa etária em que o ensino presencial é o ideal, pois é no 1º ano de escolaridade que se estabelecem as primeiras relações interpessoais”.

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