Presidente da Associação de Idosos da Torre da Marinha contesta normas de segurança demasiado apertadas

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São muitos os que precisam da distribuição alimentar. Há condições, mas não há autorização para o refeitório

 

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José Mourato, presidente da Associação Unitária de Reformados Pensionistas e Idosos da Torre da Marinha (AURPITM), diz-se indignado por ver tolhidos os esforços da instituição visando melhor servir os seus utentes, sobretudo, os mais carenciados.
“Vemos idosos sentados lado a lado em bancos dos jardins, nas esplanadas, nos cafés, nos restaurantes sem qualquer protecção, mas a nossa associação, que dispõe de todas as normas de segurança e tem condições para fazer respeitar o distanciamento social, não os pode receber”, acusa Mourato.

“Num dia normal – prossegue -, esta casa estaria cheia, de manhã e à tarde. Passam por aqui, diariamente, cerca de 200 pessoas. Para muitas, é a sua segunda casa. Aqui encontram os amigos, conversam, vêem televisão. Os que vivem sozinhos, até se sentem melhor aqui. São sete dias por semana, com oferta de muitas actividades de natureza lúdica ou cultural, e bailes aos domingos à tarde, que chamam sempre muita gente, sócia ou não. Agora, toda esta actividade está suspensa”.

Centro atípico

José Mourato diz que a AURPITM é um centro de convívio atípico, porque nenhuma instituição assim classificada fornece almoços. “Os associados que não têm condições vêm aqui almoçar por uma quantia irrisória. Servimos mais de cinquenta almoços por dia”, esclarece o presidente.

Um dos grandes problemas da associação, hoje em dia, é a quebra de receitas. “Há pessoas que têm medo de vir pagar a quota. O bar, por exemplo, dava uma receita mensal de 4 500 euros, que agora não entra, mas que nos faz muita falta. Por outro lado, há utentes que foram levados pelas famílias para os seus domicílios e que, portanto, também não pagam a mensalidade estabelecida. Para uma associação como a nossa, isto representa uma grande quebra financeira”, lamenta o presidente da AURPITM.
A esperança, para José Mourato, é que a “Segurança Social venha a reconhecer este esforço do centro de convívio, que mantém em funcionamento o serviço de cozinha e de apoio de alimentação ao domicílio. Não abandonamos as pessoas, que continuam a sentir o apoio da associação”.

Apoio a trezentas pessoas

Como cidadão, não como presidente da associação, José Mourato representa o Pingo Doce no apoio a famílias carenciadas. “Escolhi a AURPITM para receber os bens alimentares e reparti-los pelos utentes e famílias em dificuldade, mesmo que não sócias.
Neste momento, recebo produtos alimentares de quatro lojas, tendo abdicado de uma a favor de outra associação congénere do concelho que se debate com problemas de profunda gravidade.

A nossa associação auxilia em termos alimentares cerca de 300 pessoas da União de Freguesias do Seixal, Arrentela e Paio Pires e alguns cidadãos de Amora. Trata-se de trabalho que exige o voluntariado de oito pessoas, que se encarregam do transporte, acondicionamento e distribuição dos cabazes, sete dias por semana”.

Na verdade, há em todo isto muito esforço pessoal, mas nota-se o orgulho em quem o despende para ajudar os desfavorecidos da sociedade. “Nada paga a alegria que eu e os outros voluntários experimentamos nesta tarefa. Poucas associações do concelho ou do país se podem gabar de um trabalho como o nosso”, remata José Mourato.

José Augusto

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