Nova Quinta do Braamcamp estará concluída em 2025 com “um toque de Veneza”

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Empresário afirma estar disponível para o diálogo com quem se opõe ao projecto para encontrar as melhores soluções ambientais

 

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Destronou a arquitectura icónica de Santiago Calatrava na corrida à requalificação da Quinta do Braamcamp e tem a certeza de que a harmonia do seu projecto urbanístico, com o ambiente envolvente, foi a “marca decisiva” para o júri do concurso público. Carlos de Matos estima que a obra deverá estar concluída em 2025 e trará “um toque de Veneza” ao Barreiro, se os contactos com empresas de pequenas embarcações correrem como espera, para estabelecer um serviço de taxiboat entre o Barreiro, Lisboa e Montijo.
O CEO da Saint-Germain não teme os desafios que a Braamcamp trará, com uma providência cautelar interposta pela “Plataforma Cidadã Braamcamp é de Todos” a correr no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada.

Está aberto ao diálogo com os munícipes que se continuam a opor ao projecto e acredita que conseguirá concluir uma obra “que respeite a vontade de todos e especialmente o terreno privilegiado da Braamcamp”, onde nascerá o que considera ser “um projecto único no país”, com a assinatura do arquitecto Fernando Carona. Um espaço que será também a futura casa de cerca de 500 novas árvores que estão previstas plantar.

O que levou a Saint-Germain a interessar-se pela Quinta do Braamcamp?

O potencial é singular. Hoje a Braamcamp é praticamente uma ilha abandonada num concelho que esteve esquecido durante os últimos 50 anos. Mas, na minha mente, vejo a quinta renascer com mais 80% da sua área ajardinada e os prédios certos.

Uma construção que não entra em confronto com a paisagem, num projecto que queremos que sirva o bem comum. E muito importante, o Barreiro terá uma unidade hoteleira, porque é impensável uma cidade com este potencial, às portas de Lisboa, não ter um hotel.

Depois há outros pormenores como a recuperação do moinho, que terá um ponto de restauração.

São exigências do caderno de encargos, que a Câmara também tem vindo a destacar. Haverá outros planos por revelar?

Também contactamos empresas de embarcações pequenas, para fazer a ligação estilo taxiboat, entre Barreiro e Lisboa, ou com o Montijo, onde ficará o novo aeroporto. Algo muito semelhante ao que se faz em Veneza [Itália].

O objectivo é aproveitar ao máximo o potencial náutico, num concelho que esteve de costas voltadas para o Tejo.

O novo aeroporto do Montijo foi um dos motivos para aposta na Braamcamp?

Não. Ainda não sabíamos que o aeroporto seria mesmo decidido no Montijo quando fizemos o primeiro contacto com a Câmara. A ideia deste projecto já vem de 2018, quando tomamos conhecimento do projecto de requalificação, que a estava a ser pensado pelo actual executivo.

Tenho a certeza de que o projecto viverá independentemente de existir ou não aeroporto.

Não receou que Calatrava o detivesse?

Agora já não pode. Mantemos uma relação empresarial boa e depois de sermos anunciados vencedores Calatrava contactou-nos para parabenizar e propor a execução do projecto arquitectónico em parceria. Mas, consideramos que os estilos não se iriam adaptar.

Temos de avaliar a visão de quem planeia um projecto e a sua execução e a visão de um arquitecto, assim como o valor justo daquilo que as pessoas vão comprar.

Com a marca Calatrava talvez isso não fosse possível. É uma empresa dedicada a obras de elevado valor e tem uma arquitectura em altura, de linhas futuristas, que não se adequaria ao local.

Carlos de Matos, CEO da empresa Saint-Germain

Fala em “valor justo”, a partir de quanto se poderá habitar na Braamcamp?

Por um terço dos valores que se praticam em Lisboa, a cerca de 2 800,00 Euros por metro quadrado, num preço de base.

Como correu o desafio de respeitar o caderno de encargos?

Muito exigente, especialmente no equilíbrio entre construção e ambiente.
Para garantir que todos os pontos fossem cumpridos tivemos um profissional unicamente dedicado ao projecto, durante dois meses. Depois, a exigência maior: entregar à Câmara 80% do território requalificado, o que vai custar mais do que o valor que demos pelo terreno.

Mas valeu a pena. Será um projecto único no país. Para além da arquitectura sustentável, nos activos ambientais está contemplado plantar 500 árvores, com um projecto elaborado por um arquitecto paisagista.

As exigências ambientais continuam a ser o grande ponto de contestação da “Plataforma Cidadã Braamcamp é de Todos”.

Essa foi a prioridade. Respeitar as prorrogativas ambientais. Agora a visão de que “a Braamcamp é de todos” e o mesmo que dizer que “Portugal é de todos”. Não tememos a posição dos munícipes, nem a burocracia e a espera que a providência cautelar exigirá.
Estamos disponíveis para o diálogo com aqueles que contestam o projecto. A partir desse diálogo podem surgir novas ideias para situações ambientais que não estejamos a prever e que ajudem a construir um projecto apreciado por todos os barreirenses. Queremos fazer história aí mesmo: na construção harmonizada com o ambiente envolvente.

E na economia local quais serão os primeiros impactos?

Num primeiro momento a criação de cerca de 300 postos de trabalho, entre directos e indirectos, durante a construção da nova Quinta do Braamcamp.

Depois, a concretização do todo implicará a participação de pelos menos 25 empresas, para prestação de serviços especializados, mais cerca de 50 fábricas a trabalhar no fornecimento de materiais.

Quando teremos a Quinta do Braamcamp totalmente recuperada?

A providência cautelar a decorrer não me impede de começar a dar os primeiros passos. Estimo que para um projecto deste dimensão precisamos de cinco anos para ter tudo concluído.

 

Paixão: “Queria ser arquitecto. Hoje construo a arquitectura de que gosto”

 

Carlos de Matos começou a trabalhar como empreiteiro em 1979, depois de emigrar para a França em 1969. “Queria ser arquitecto, mas a vida não o permitiu porque foi preciso começar a trabalhar e parar de estudar. Hoje construo a arquitectura de que gosto”, revela o empresário.

A Saint-Germain nasceu em 1994, com sede em Paris e, hoje, a zona onde a empresa desenvolve projectos com mais frequência fica próxima à Disneyland.

O Paris-Asia Business Center é um exemplo das “grandes apostas” da empresa. Com este projecto Carlos de Matos queria “interligar todas as empresas do mundo”, num cluster. A primeira fase já está concluída com a construção de 400 blocos, num projecto que tem o valor global de 850 milhões de euros.

Depois de mais de 30 anos no sector da construção civil afirma que faz o que gosta e por isso com 68 anos, “a vontade do trabalhar e inovar continua forte”.

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