Zero diz que pavimentação do acesso às praias da Fonte da Telha fere ambiente, mas Câmara de Almada nega

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Ambientalistas da Zero dizem que a duna primária na Fonte da Telha vai ser afectada com a pavimentação da estrada em terra batida que corre ao logo da faixa marítima, mas a Câmara de Almada afirma que o objectivo da obra é, precisamente, proteger o cordão dunar do estacionamento automóvel 

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A obra de pavimentação do acesso às praias da Fonte da Telha deverá estar concluída até ao final deste mês mas, entretanto, continua debaixo das críticas da associação ambiental Zero que insiste ser esta obra executada pela Câmara de Almada “ilegal”. Ao mesmo tempo, a autarquia garante que todas as questões ambientas estão a ser respeitadas e, contrariamente ao que dizem os ambientalistas, o cordão vai ficar mais protegido.

Em declarações à SIC, Carla Graça, da Zero, veio afirmar que esta intervenção “não está prevista no plano de praia” e que, “mesmo que estivesse, “é ilegal”, isto de acordo com a tipologia deste areal atlântico com “duna semi-primária em faixa de protecção costeira”.

Para a ambientalista, esta obra em execução pela autarquia está a avançar “à revelia de tudo” e estranha que as “entidades competentes pela fiscalização admitam uma obra destas”, quando a mesma está a ser “feita em área classificada como reserva ecológica nacional”. Ou seja, tal como O SETUBALENSE já noticiou, entende a Zero que esta pavimentação “é contrária às directrizes estabelecidas pelo Programa de Orla Costeira POC) Alcobaça – Espichel”. Ao mesmo tempo que duvidava que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tivesse aprovado o projecto.

A associação ambientalista afirma ainda que esta repavimentação da via em terra batida, está a ser feita com alcatrão, o que irá “impermeabilizar de forma dramática um troço considerável junto à linha de água e à arriba fóssil”.

Com os moradores satisfeitos com esta obra da Câmara de Almada, o vereador Miguel Salvado, responsável pela rede viária, garante que a cobertura está a ser feita com material “semipermeável”, portanto, contrariamente ao que a Zero afirma; “permite que a água se infiltre”.

Indica ainda o vereador que, neste momento, está a ser pintada a sinalização horizontal, e colocada a divisão entre a faixa de rodagem e o corredor ciclovia. Serão ainda colocadas sulipas para proteger o cordão dunar.

A protecção desta linha dunar é, pelo que diz a presidente da Câmara, Inês de Medeiros, uma das razões da requalificação desta via que, há muitos anos dá acesso às praias da Fonte da Telha, e corre entre a duna a duna primária e secundária.

“A obra a decorrer, é essencial para ordenar e requalificar a via já existente”, afirmava a presidente à mesma cadeia de televisão, ao mesmo tempo que convidava as associações ambientalistas a irem ao local e observarem que a obra em execução vai “impedir que os carros cheguem à duna primária”, portanto “é o oposto do que estão a afirmar”.

Pelo projecto da autarquia, quando concluída a obra, será construído um aprque de estacionamento, gratuito, com 900 lugares.

Quanto às dúvidas da Zero sobre o projecto ter passado pelo filtro da APA, este organismo já veio explicar que “não foi emitido qualquer parecer” sobre esta obra “atendendo a que a mesma não é da sua competência”, mas sim da Câmara Municipal de Almada. “O objecto a tratar integra o leque de competências aceites e já transferidas para o município de Almada, no domínio das praias balneares”, acrescentou.

Sobre a questão levantada sobre o POC, a Agência já explicou que as normas deste “encontram-se vertidas no Plano Director Municipal de Almada”, que é o instrumento de gestão territorial “que vincula os particulares e que regula a gestão municipal”.

 

 

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