Sem especialistas São Bernardo tem serviços de obstetrícia e urgência comprometidos

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Falta de especialistas acentua-se desde 2009, assim como a necessidade de requalificar o edificado do Centro Hospitalar de Setúbal

 

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Em risco de perder, pelos menos, 30% das valências devido à falta de especialistas, o Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) vai apresentar ao Ministério da Saúde um documento reivindicativo sobre a urgência de concursos públicos com melhores propostas salariais. “Para que os médicos em formação fiquem em Setúbal, depois de concluírem a especialidade”, refere José Poças, director clínico do Hospital de São Bernardo. Sendo este um problema com cerca de duas décadas, ainda sem solução.

O especialista em infecciologia, que coordenou a equipa de resposta à Covid-19 no Hospital São Bernardo, aponta como áreas mais preocupantes a Obstetrícia e Ginecologia, “que em breve pode deixar de conseguir garantir a urgência básica” e o Serviço de Anatomia Patológica, “que tem apenas um médico no quadro oficial”. A Urgência Geral estará também em risco permanente, “quase sempre em ruptura assistencial”.

Durante uma apresentação que decorreu no Auditório Municipal de Setúbal, no Cinema Charlot, com o tema “Do Passado ao Futuro, do Centro Hospitalar de Setúbal”, o director clínico referiu ainda que, “nos últimos 35 anos, a Unidade de Cuidados Intensivos não recebeu qualquer aumento da capacidade para tratamento médico”. E recordou as “instalações e equipamentos muito insuficientes da Patologia Clínica”, sem alterações desde há 25 anos.

Entre as situações críticas estão ainda “serviços mantidos com médicos contratados a tempo parcial,  inclusive directores”, “serviços que formam especialistas que depois saem da instituição para desenvolver outros projectos”. E o risco da continuidade da comunidade médica em Setúbal, “com quase todos os serviços a integrarem profissionais, na sua maioria, acima dos 55 anos”.

Uma listagem que revela a necessidade de “médicos assistentes, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas”, refere.

O momento de debate entre a comunidade médica de Setúbal foi ainda marcado pela exigência da ampliação do Hospital de São Bernardo, “visto que já esteve prevista em Orçamento de Estado duas vezes”, aponta Eugénio Fonseca, presidente do Conselho Consultivo do Centro Hospitalar de Setúbal.

 

 

Reivindicações com seis anos de debate sem resposta do Governo

 

 

Eugénio Fonseca recorda que, desde a formação do actual conselho consultivo, há 6 anos, “a preocupação central é a de não haver viabilidade financeira para o CHS”. Situação que torna impossível a requalificação do edificado e a contratação de profissionais com salários justos.

“Antes de surgir a pandeia foi realizado um relatório para apresentação ao Ministério da Saúde”, recorda Eugénio Fonseca. Mas, devido à pandemia, a entrega do documento foi adiada. Reivindicações que regressam agora, tendo sido já realizados contactos para novas reuniões com a tutela.

Na lista de reivindicações está ainda a “garantia de soluções para o congestionamento de doentes, que transferência do Hospital do Outão para o Hospital de São Bernardo trará”.

Apesar da nova proactividade para resolver estas questões, Eugénio Fonseca reconhece que a pandemia criou limitações aos investimentos futuros, “motivo pelo qual a ampliação esperada pode não acontecer no futuro imediato”.

Até que a ampliação seja concretizada, a resposta a épocas extraordinárias, como novas vagas de Covid-19 e outras pandemias, está assegurada com a construção de um edifício amovível. Isto porque José Poças defende, “teremos mais vagas de Covid-19 e mais vagas de outras pandemias, disso podemos ter a certeza”.

A Ordem dos Médicos também já confirmou a necessidade urgente de especialistas para o Hospital São Bernardo, assim como da sua ampliação, uma vez que é procurado por utentes da península e do litoral alentejano.

“Desde 2016, altura em que passou a ser permitido aos utentes escolherem uma unidade hospitalar fora da sua residência, e fruto da maior facilidade de acesso ao CHS por parte dos utentes do litoral alentejano, este centro passou a servir em média mais cerca de 20% de doentes para além dos doentes da sua zona de atracção entre Setúbal, Palmela e Sesimbra”, afirma o bastonário. O que leva a um total de cerca de 350 mil potenciais utentes para o CHS.

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