Padre Manuel Vieira. “Homem de grande generosidade” recordado por 40 anos de obra social em Setúbal

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Fotografia: ALEX GASPAR

Despedida emocionada a padre Manuel Vieira foi partilhada por congregações, diocese e sociedade civil

 

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A última homenagem a Manuel Vieira antigo pároco da Anunciada foi acompanha na Sé de Setúbal por cerca de 70 pessoas da sociedade civil e representantes de várias congregações, que reconhecem no percurso do padre uma inspiração de “humanismo” e “generosidade” para as suas missões, em prol das comunidades setubalenses.

A presidir as exéquias de última homenagem a Manuel Vieira, o bispo de Setúbal recordou um “homem a quem nunca faltou o humanismo e a sensibilidade para olhar o próximo”, ajudando “milhares de pessoas em Setúbal”.

 

 

Gestos solidários que D. José Ornelas afirma terem perdurado “até ao fim da sua vida, pois mesmo da sua modesta reforma ainda ajudava muitas vezes quem precisava”. Acções de “um homem singular com o coração cheio de humanismo, que se revia na cidade de Setúbal, onde ocupava o seu lugar não só como sacerdote, mas como cidadão”.

Padre José Lobato, vigário geral da Diocese de Setúbal, recordou um homem “de grande coração e humanismo que acolheu muitos setubalenses, vindos do Ultramar em tempo de guerra” e quando chegaram à cidade “encontraram condições de vida muito precárias, sem luz ou água potável e muitas vezes sem ter o que comer”.

Para além desta comunidade, que levantava as suas casas de zinco e madeira pela colina do Convento de São Francisco, “quando chegou a Setúbal, depois de ter exercido funções como pároco na freguesia de Castelo, em Sesimbra, Manuel Vieira identificou que a comunidade piscatória e as mulheres que trabalhavam na indústria conserveira e muitas vezes tinham de levar os filhos para trabalho, em condições precárias”. Uma obra que nunca escondeu ter vindo desenvolver “a pedido do cardeal Cerejeira”.

Uma obra que será sempre recorda na fundação do Clube Stella Maris e do Centro Social Paroquial, na antiga Quinta Alves da Silva.

Paulo Lopes, presente nas exéquias do padre Manuel Vieira a título pessoal e “desvinculado de qualquer representação política”, associada ao PS ou às suas funções enquanto vereador da Câmara Municipal, também recorda um homem que sempre acarinhou como “um familiar”, estando presente em muitos momentos da sua vida pessoal.

O arquitecto partilha a mesma opinião do vigário José Lobato, sobre a obra social de Manuel Vieira em prol de “melhores condições e vida e habitação em Setúbal”, enquanto grande impulsionador “da iluminação das barracas, na década de 90, depois de ter apoiado dezenas de famílias que haviam chegado a Setubal na década de 80, vindas do Ultramar, acolhidas no Convento de São Francisco em condições completamente desumanas”.

Local onde hoje estão os edifícios construídos para Casa Pia, mas que nunca chegaram a ter utilidade social. “Aí estendia-se um grande aglomerado de barracas e o padre Manuel Vieira foi o esteio dessa comunidade”, afirma.

 

Ajuda sempre presente nas missões da diáspora portuguesa

 

De passagem por Setúbal, as Irmãs Fátima Ferraz e Teresa da Silva, Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, desenvolvem a sua obra social na paróquia de São Sebastião, e reconhecem na obra de Manuel Vieira “uma grande generosidade”, recordado por apoiar as missões na diáspora portuguesa.

“Nunca esqueceu as missões e sempre que era necessário algo para ajudar esses projectos, em diferentes pontos do mundo”, afirmam as Irmãs, destacando “que sempre tratou com grande proximidade quem o procurava”.

 

Agrupamento 484     Fundador da missão escutista na Anunciada

 

Vários membros do Agrupamento de Escuteiros 484, da Anunciada, também fizeram questão de marcar presença na homenagem ao padre Manuel Vieira.

Bruno Salgado, chefe deste agrupamento fundado pelo em 1977, sempre conviveu com a memória de “um grande homem”.

A história do 484 começou com os irmãos, António Alberto Pereira e Maria José Pereira, que tinham sido escuteiros em Viseu e quando migraram para Setúbal sentirem falta das actividades escutistas. Motivo que os levou a procurar o pároco da Anunciada, propondo a fundação de um agrupamento.

Uma ideia que Manuel Vieira abraçou de imediato e ganhou forma a 17 Julho de 1977, quando o Agrupamento 484 foi oficialmente fundado, tendo como patrono S. Pedro de Alcântara.

 

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