“Vou continuar a colocar questões do distrito de Setúbal no Parlamento”

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Primeiro foi afastada da Comissão Política Permanente, depois sentiu falta de espaço para cumprir os seus compromissos

 

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A deputada Cristina Rodrigues saiu do PAN mas diz que vai manter-se no Parlamento para defender as questões do distrito de Setúbal. Assim o disse a O SETUBALENSE onde afirma ter ficado desiludida com o partido e com uma direcção autoritária onde, como diz, não são aceites ideias que desalinhem com o grupo de André Silva.

O que a levou a desvincular-se do Partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN)?
Deixei de me rever na direcção que o partido está a tomar, senti também que as minhas funções estavam a ser limitadas pelo que não tinha espaço para cumprir o meu compromisso com quem me elegeu.

A sua saída do PAN foi antecipar uma eventual retirada de confiança pelo partido, isto depois de ter sido afastada da Comissão Política Permanente?
Para que seja retirada a confiança política tem de existir incumprimento dos estatutos, o que não aconteceu; sempre cumpri os estatutos. Podia haver vontade de me afastarem por não concordar com o rumo que o partido estava a tomar, mas o facto é que não tinham fundamento para o fazer, acredito que se tivessem motivo o teriam feito, mas nem sequer foi iniciado esse processo.

O afastamento da Comissão Política Permanente foi resultado da oposição que manifestei numa reunião.

O que a motiva a manter-se como deputada na condição de não inscrita, na Assembleia da República?
Reflecti bastante sobre se deveria renunciar e entregar o mandato ao PAN, mas o facto é que tenho muita vontade de trabalhar e cumprir com as exigências do programa eleitoral com que fui eleita. As pessoas votaram no PAN; fui a cabeça de lista pelo distrito de Setúbal e sinto a obrigação de dar respostas aos eleitores. Por isso continuo na Assembleia da República, embora tenha escolhido a via mais difícil porque ao passar a deputada independente vou estar limitada em tempo e possibilidade de intervir nos debates e agendar iniciativas.

Tenho plena consciência que não optei pelo caminho mais fácil, mas vou continuar a colocar questões do distrito de Setúbal no Parlamento.

Como comenta a afirmação do porta-voz do PAN, André Silva, sobre os sete eleitos e dirigentes, incluindo a deputada Cristina Rodrigues, que se desvincularam, terem usado o partido como trampolim?
Houve muita desonestidade nessa afirmação. Não passei para uma situação melhor, mas agora tenho mais liberdade para prosseguir aquilo a que me comprometi. Mas também importa dizer que antes de entrar para o PAN desempenava a minha carreira de advogada e, não estava mal financeiramente. Decide ir trabalhar para o PAN e defender causas, porque o dinheiro não é o mais importante. Na altura nem tínhamos representação parlamentar.

Foi acusada, também por André Silva, de não conviver bem com a democracia. Como comenta?
É precisamente o contrário. Só agora me apercebi melhor que quem não tem a mesma opinião que o grupo liderado pelo deputado André Silva, automaticamente cai naquela velha frase “não estás comigo estás contra mim”; aí sim, há uma dificuldade em lidar com a democracia.

Quando diz que a direcção do PAN coloca em causa as pessoas e não as ideias, refere-se a uma direcção autoritária?
Estou a referir-me claramente a uma direcção autoritária, disso não tenho dúvidas. E que se tem afastado dos princípios do partido. Nos novos estatutos existem dois princípios estruturais, um deles é o princípio da não violência: não atacar pessoas e discutir ideias; isso tem sido colocado em causa pela direcção do PAN.

A 1.ª sessão legislativa deste mandato está a terminar. Já decidiu os primeiros temas a levar ao Parlamento no reinício dos trabalhos?
Vou aproveitar o período de paragem dos trabalhos para fazer uma reflexão sobre as prioridades, já tenho algumas ideias. O que posso dizer é que [sexta-feira] dei entrada com a primeira iniciativa legislativa, que vai ser debatida esta semana, sobre os apoios públicos à tauromaquia. Foi a minha estreia como deputada não inscrita.

Como vê o seu futuro político?
Vou até ao fim do mandato, depois disso não sei. Não estou preocupada com uma carreira política, a minha preocupação é cumprir com o programa com o qual fui eleita.

Debate sobre financiamento público das touradas

Cristina Rodrigues entregou a sua primeira iniciativa legislativa na Assembleia da República, como deputada não inscrita. Trata-se um projecto lei com vista a proibir financiamento público a touradas.

A deputada defende que “um país sadio e com recursos limitados não pode optar por financiar um espectáculo cujo entretenimento implica o sofrimento e a morte de um animal, em detrimento do investimento, que é tão necessário, em serviços e actividades que melhoram a qualidade de vida dos portugueses”.

Cristina Rodrigues quer assim impedir “a utilização de dinheiros públicos para financiamento directo ou indirecto de actividades tauromáquicas” e o objectivo é que esta proibição abranja “todos os espectáculos com fins comerciais, culturais ou beneméritos que se enquadrem na actividade tauromáquica”.

“Os organismos públicos, incluindo câmaras municipais ou juntas de freguesia, devem abster-se de financiar directa ou indirectamente, apoiar institucionalmente ou beneficiar de alguma forma, actividades tauromáquicas”, refere ainda projecto lei.

A parlamentar salienta que, “segundo dados avançados pelo movimento cívico ‘Fim dos dinheiros públicos para touradas’, todos os anos são gastos cerca de 16 milhões de euros no fomento da tauromaquia em Portugal”.

Amanhã, o Parlamento vai debater um projecto de lei do PEV e uma iniciativa cidadã no mesmo sentido.

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