Saúde confirma urgência de ampliação e contratação de especialistas no São Bernardo

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Ministra da Saúde vai acompanhar situação do hospital junto Ministério das Finanças e criar protocolo para contratação de médicos

 

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O Conselho Consultivo do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) reuniu com a ministra da Saúde, para debater a necessidade urgente de avançar com o projecto de ampliação do Hospital São Bernardo e contratação de especialistas. E, embora Marta Temido tenha assumido “que a requalificação dos equipamentos do CHS é urgente, assim como a contratação, também refere que muito dependerá do Ministério das Finanças e da reafectação de fundos”, afirma Eugénio da Fonseca, presidente do Conselho Consultivo do CHS.

Entretanto, o Conselho Consultivo está preocupado com a sustentabilidade financeira do CHS, em particular do Hospital São Bernardo, “onde muitas valências apresentam risco de continuidade, entre elas a obstetrícia, oftalmologia, oncologia e, o mais grave, a ruptura do serviço de urgência geral”, devido à falta de equipamentos e profissionais. “Por isso, na passada quinta-feira foi apresentado um relatório à ministra para que a urgência da situação fique clara”.

Se o Hospital São Bernardo entrar em ruptura, Eugénio da Fonseca calcula que cerca de 30% dos utentes que procuram os seus serviços médicos fiquem sem resposta. “Utentes que vêm de fora da área de influência do hospital (Setúbal, Palmela e Sesimbra)”, de outros concelhos da península e do litoral alentejano, “que por via do serviço de urgência geral têm acesso mais directo a cuidados de saúde”.

Ciente das carências que podem recair sobre cerca de 100 mil utentes, Marta Temido garantiu ao Conselho Consultivo do CHS que irá realizar, de imediato, “um levantamento das valências com maior urgência de profissionais, estando disposta a apresentar um programa de incentivos a três anos, para colocar novos médicos. O que problema será encontrá-los”, reflecte Eugénio da Fonseca, num parecer que afirma ser “partilhado pela ministra”.

“Actualmente os internos fazem a sua especialidade no São Bernardo mas, depois, procuram o sistema particular, quando deveriam permanecer algum tempo no Serviço Nacional de Saúde para dar retorno do investimento que o Estado faz na sua formação”, aponta Eugénio da Fonseca.

“É preciso entendimento entre conselho e médicos para proteger financiamentos”

O Conselho Consultivo está ciente das dificuldades que o Estado enfrentará no futuro próximo, “para cumprir o plano de investimentos, dado o contexto gerado pela Covid-19”. E que neste momento, “quase tudo”, depende do Ministério das Finanças.

Contudo, Eugénio da Fonseca faz um apelo para que a administração do CHS e os médicos encontrem um consenso nos planos de ampliação do São Bernardo. “De forma a garantir que não se perde o acesso aos fundos disponíveis, para o projecto actual”.
O actual projecto de ampliação do São Bernardo, que contempla a construção de um novo bloco no campus deste hospital, já foi aprovado em Conselho de Ministros, com um valor de 17 milhões. Resta agora saber quando e como este orçamento será desbloqueado.

Para já, Eugénio da Fonseca indica que é determinante garantir o desbloqueamento de, pelo menos, 11 a 13 milhões do orçamento previsto, “até porque para abrir concurso está tudo a postos, só falta ir à aprovação do Tribunal de Contas”.

Contudo, alguns médicos apostam numa ampliação diferente que, consideram, traria mais sustentabilidade a longo prazo. “Esse projecto corresponde à ampliação do hospital com mais dois andares no edifico actual”.

Uma ideia que Eugénio da Fonseca não nega “teria mais benefícios no futuro”, mas afirma que “é preciso pensar nas soluções que já estão prontas a avançar, de modo a não perder o orçamento previsto”. Caso contrário o CHS corre risco de perder a oportunidade e terá de esperar ainda mais tempo pela ampliação dos serviços.

Nível D é determinante para as finanças do São Bernardo

A par da ampliação e contratação de especialistas, Eugénio da Fonseca afirma que, se o Hospital São Bernardo, passar do nível de classificação C para D, “poderá avançar com outra valorização dos serviços prestados e garantir maior sustentabilidade financeira no futuro”.

Situação que resolveria, “talvez”, o facto de os accionistas injectarem capitais no CHS, “todos os anos”.

No distrito, o Hospital Garcia de Orta é um exemplo de classificação nível D, “que garantiu outros benefícios financeiros”.

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