Quinta do Conde teve como primeiro edifício um restaurante e hoje é a freguesia mais povoada do concelho

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Vítor Antunes, presidente da junta de freguesia da Quinta do Conde

A elevação a vila foi aprovada a 1 de Junho de 1995. Vítor Antunes, presidente da junta, faz um retrato da freguesia

 

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Este ano, a Quinta do Conde comemora 25 anos enquanto vila, 35 de freguesia e 50 de existência enquanto povoado. Vítor Antunes, presidente da Junta de Freguesia, refere que “em 1995, a Assembleia da República aprovou a elevação da Quinta do Conde à categoria de vila porque reunia as condições estabelecidas pela lei para essa condição”, mas diz que é importante recuar no tempo e ter em conta que “para chegar a esse momento muito trabalho existiu para trás”.

“A Quinta do Conde é um aglomerado populacional de constituição muito recente. Consideramos que este ano está também a celebrar 50 anos enquanto povoação tendo em conta a inauguração do restaurante da Quinta do Conde, em 1970, que foi o primeiro edifício da localidade a dinamizar a zona”, explica, adiantando que “o lugar, por si, é mais antigo. Temos referências à designação ‘Quinta do Conde’ no século XVIII”. Depois de ter pertencido aos Condes de Atouguia e ao Mosteiro de S. Vicente, foi José Maria da Fonseca quem se tornou proprietário da Quinta do Conde. “O pai, José António da Fonseca, adquiriu-a, em Dezembro de 1835, para o filho, que nessa altura se estava a instalar aqui para a produção de vinhos”.

A história da génese do território mostra então que este foi utilizado para vários fins, nomeadamente agrícolas, até que em 1970 António Xavier de Lima resolveu então investir naquela terra. “Adquiriu uns espaços, entre eles um celeiro, que transformou em restaurante, o Restaurante da Quinta do Conde, e que inaugurou em 28 de Novembro de 1970 numa visita de jornalistas ao local”, recorda.

Dado o crescimento acelerado da localidade, sobretudo depois do 25 de Abril de 1974, altura em que aumentou a construção ilegal, “porque não havia condições para emitir licenças”, a Quinta do Conde tornou-se “um poço de necessidades”. Muitos habitantes tinham necessidade de ter água e electricidade, a que se juntou entretanto todo um conjunto de necessidades e, de acordo com Vítor Antunes, “as soluções para os problemas desta natureza não se conseguem resolver da noite para o dia. Demoram o seu tempo”.

A primeira referência conhecida à eventual criação da freguesia da Quinta do Conde remete para uma reunião de membros da Comissão Administrativa da Câmara de Sesimbra, a 10 de Novembro de 1974. Aurélio de Sousa e Esequiel Lino, que então representavam a Câmara, afirmaram que o elevado número de construções e de residentes justificava para a Quinta do Conde a existência de administração própria, tornando-se “necessário e urgente a criação de uma junta de freguesia”. Com as dissoluções da Assembleia da República verificadas na altura, só a 4 de Outubro de 1985 a publicação no Diário da República da lei 83/85 consumou o objectivo: “é criada no concelho de Sesimbra a Freguesia da Quinta do Conde.” A lei entrou em vigor cinco dias depois, pelo que a freguesia quintacondense existe oficialmente desde 9 de Outubro de 1985.

Desde a criação da freguesia à sua elevação à categoria de vila, passaram 10 anos. No final de 1993, a elevação da Quinta do Conde à categoria de vila entrou na agenda política mas só a 30 de Agosto de 1995 foi publicada a lei que lhe daria o estatuto de vila, atingido cinco dias depois, a 4 de Setembro de 1995.

Futuro inclui centralidade e resposta às necessidades do território

“A Quinta do Conde está no centro da Península de Setúbal, no cruzamento da linha ferroviária, perto da auto-estrada. A localização geográfica e a acessibilidade foram factores que contribuíram para o desenvolvimento local e para que a Quinta do Conde seja hoje em termos populacionais a maior freguesia do concelho de Sesimbra, também a mais jovem, uma vez que só foi fundada em 1985, e tenha hoje uma qualidade de vida satisfatória”, considera o presidente da freguesia, partilhando que teve recentemente conhecimento da existência de uma petição que defende “a elevação da Quinta do Conde a cidade”.

Em 50 anos, a Quinta do Conde teve, nas suas palavras, “um crescimento muito acelerado, sobretudo nas décadas de 1990 e 2010”. Exemplo disto é o caso do centro de saúde local, que quando foi inaugurado em 2012 “já era insuficiente, tendo em conta o número de pessoas que a freguesia tem” e por isso o edil avança que “está em vias de concretização a criação de um segundo centro de saúde”.

Na educação, Vítor Antunes destaca a falta de resposta ao nível do ensino secundário. “Avaliamos em mil jovens aqueles que diariamente daqui saem para procurar resposta, a um grau de ensino que é obrigatório, nos concelhos limítrofes. Não temos resposta aqui e a resposta que temos no concelho de Sesimbra está esgotada, já não chega”, declara. Estava marcada para 16 de Março uma reunião com os secretários de Estado da Educação, mas devido à pandemia foi adiada. “Já renovei o pedido. Precisamos de uma resposta”, adianta.

Das necessidades locais faz também parte a criação de um lar de idosos, que “seria muito bom para disciplinar a quantidade de lares ilegais que por aí proliferam, para contagiar positivamente e responder às necessidades das pessoas”. O centro de actividades ocupacionais para utentes da Cercizimbra e a construção de um quartel para a GNR são ainda obras a destacar, sem esquecer o desejo da criação de “uma rotunda, a partir da Ponte de Negreiros, que dê acesso à Quinta do Conde e ligação directa à auto-estrada”.

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