Nuno Canta diz que decisão sobre aeroporto já não é técnica mas sim política

40
visualizações
Nuno Canta

O socialista lançou assim uma indirecta ao posicionamento contra dos autarcas comunistas da Moita e do Seixal. E instou o Governo a avançar

 

- Pub -

O presidente da Câmara do Montijo afirmou ontem no parlamento que a decisão de construir o novo aeroporto no concelho já não é técnica, mas “política”, defendendo que o projecto vai reduzir as “assimetrias regionais”.

“Estamos neste momento numa decisão política, porque as questões técnicas estão tratadas, o investimento está tratado. Tem de haver da parte da Assembleia da República um olhar para o território”, disse Nuno Canta (PS), na comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território.

O autarca falava durante uma audição sobre a Avaliação de Impacto Ambiental do Aeroporto do Montijo e o alargamento do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, onde apontou que “a decisão hoje não é técnica” e que “é preciso decidir”.

“O povo português precisa de decisões. Não podemos aprisionar o país num beco sem saída”, frisou, referindo-se à posição dos autarcas comunistas da Moita e Seixal, que estão contra a construção na Base Aérea n.º 6, no Montijo, devido aos impactos ambientais.

“O município do Montijo assume perante a Assembleia da República que a decisão da expansão da capacidade aeroportuária deve ser concretizada por razões técnicas e sobretudo por questões práticas”, defendeu.

Segundo Nuno Canta, a nova infra-estrutura vai permitir “a redução das assimetrias regionais”, com a criação de emprego e novos investimentos.

“O principal problema da Península de Setúbal é o emprego. A criação de mais emprego em proximidade com a habitação não só reduz as deslocações entre casa e o trabalho, como a poluição associada, e melhora a conciliação da vida profissional e familiar”, notou.
Outro grande problema da região, acrescentou, é o “desordenamento do território”, os inúmeros espaços industriais devolutos e a falta de acessibilidades, o que também deverá melhorar com a localização do novo aeroporto no Montijo.

“Este projecto é o que melhor resolve o problema da pendularidade na região de Lisboa. Não nos podemos esquecer de que existem três mil pessoas que atravessam as duas pontes por dia para vir trabalhar em Lisboa. Todos os dias atravessar as pontes é um martírio de várias formas”, considerou.

No entanto, Nuno Canta afirmou que “há câmaras que não vão mudar de opinião” e, apesar de não concordar com a alteração da lei para viabilizar o aeroporto, defendeu que o Governo deve encontrar formas de “ultrapassar” e “decidir”.

Na quarta-feira, os presidentes de câmara comunistas da Moita e Seixal reafirmaram na mesma comissão parlamentar que é um “erro” construir o novo aeroporto do Montijo, enquanto o Barreiro (PS) apoiou o projecto pelo desenvolvimento que pode trazer à região.

Já o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), não tomou uma posição, mas apelou ao “avanço” na decisão sobre a construção, porque a quebra do tráfego aéreo é “temporária”.

Em Junho, o ministro das Infra-estruturas disse no parlamento que o Governo quer avançar com o projecto do novo aeroporto no Montijo, mas, como parece não haver disponibilidade do parlamento para alterar a lei, tal está dependente dos pareceres favoráveis de vários municípios.

Segundo a Declaração de Impacto Ambiental, cinco municípios comunistas do distrito de Setúbal emitiram parecer negativo à construção do aeroporto no Montijo (Moita, Seixal, Sesimbra, Setúbal e Palmela) e quatro autarquias de gestão socialista (Montijo, Alcochete, Barreiro e Almada) deram parecer positivo.

Lusa

Comentários

- Pub -