Maria das Dores Meira e a candidatura a Almada: “Forte possibilidade”

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Fotografia de Alex Gaspar

Nas autárquicas de 2021 a CDU não vai contar com Maria das Dores Meira como recandidata à Câmara de Setúbal. Como atingiu o limite de mandatos, a autarca vai ter de dar lugar a outro nome que “tenha Setúbal no coração”, diz. Contesta esta lei sobre os mandatos e chama-lhe anti-democrática.

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O rumo da autarca agora será a Câmara de Almada e, pela primeira vez, fala abertamente que, se o PCP lhe permitir, tem “toda a disponibilidade” para se candidatar à Câmara de Almada, hoje governada pela socialista Inês de Medeiros.

Como atingiu o limite de mandatos, não pode candidatar-se à Câmara de Setúbal nas autárquicas de 2021. Qual o perfil do próximo candidato da CDU para conseguir manter a maioria, ou mesmo a maioria absoluta?

Uma pessoa honesta, trabalhadora, competente, dedicada, com muita motivação e que goste muito de Setúbal. Tem de ter Setúbal bem no coração, é aquilo que eu tenho.
Tem de levar este trabalho como uma missão. Se estiver à espera que este seja o espaço para se promover profissional ou financeiramente, está muito enganado.
A mim aconteceu-me exactamente o contrário: vida privada devassada e financeiramente foi um desastre. Eu não era empregada da política; eu trabalhava no privado e tinha cinco escritórios.

Ainda os mantém?

Não. Tiveram de ir fechando, só um está a funcionar. Portanto, isto financeiramente não é compensativo. Quem vier para aqui [como presidente da Câmara] tem de pensar Setúbal, Setúbal, Setúbal; até acima da família. Foi o que me aconteceu a mim.
Eu coloquei Setúbal acima da minha família. Só assim se consegue. Esse amor nítido por Setúbal levanta também a auto-estima e confiança dos outros e, quando assim é, conseguimos tudo. Setúbal está a transformar-se na melhor cidade de Portugal, sem sombra de dúvida.

É por isto que fico sem perceber como é que uma lei injusta, e anti-democrática, afasta uma pessoa daquilo que é a vontade das populações. A população é que decide quem quer para seus dirigentes autárquicos. Então se há limitação de mandatos para as autarquias e para a Presidência da República; não há para os deputados na Assembleia da República, nem para o governo; porquê? É para satisfazer caprichos de alguns que votaram esta lei?

Estamos perante uma lei injusta e anti-democrática. Se as pessoas não nos quiserem na autarquia, votam noutros partidos, isto sim é democracia.

Vai ou não, candidatar-se à Câmara de Almada, hoje gerida pela socialista Inês de Medeiros?

Se vou candidatar-me, ou não, à Camara de Almada não está decidido. Sou militante do PCP e, essas coisas, são discutidas no meu partido. Mas que eu tenho disponibilidade para isso, e que há uma forte possibilidade que isso aconteça, há.

E dar continuidade em Almada ao que fez por Setúbal?

Não sei trabalhar noutro espírito. Quando me entrego às coisas é de alma e coração. Não sei trabalhar a fazer de conta, tenho de estar presente de corpo e alma para mudar as coisas e, se isso acontecer, Almada pode ter a certeza de que vou dar continuidade ao que foi feito.

Está a referir-se ao trabalho feito por Maria Emília de Sousa quando presidente da Câmara de Almada e, por um mandato, Joaquim Judas (ambos PCP)?

Exactamente!

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