Autarca diz que não há contrapartida para Baixa da Banheira aceitar aeroporto

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Nuno Cavaco, presidente da União de Freguesias, lembra que não foram feitas medições de ruído no interior das escolas e habitações

 

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O presidente da União de Freguesias da Baixa da Banheira e do Vale da Amoreira, Nuno Cavaco, em declarações a O SETUBALENSE, afirmou esta quarta-feira que “o processo do aeroporto no Montijo está ferido de morte, porque o Governo nem sequer falou de uma coisa tão premente como o isolamento acústico das escolas”.

O autarca garante que esta questão não integra a lista de medidas de mitigação para que a infra-estrutura aeroportuária possa avançar. “O que está previsto são alguns paliativos para a casa das pessoas”, sublinhou. O autarca destaca que existe uma “alternativa que é melhor, porque na minha opinião aquele é o pior local para se fazer um aeroporto no País”.

Nuno Cavaco acrescenta que “não há contrapartida para que sejamos a favor do aeroporto”. A Junta de Freguesia, “legitimada pela vontade da população e por todos os partidos políticos presentes na Assembleia de Freguesia, com excepção do PS (que neste processo está isolado), é contra” esta opção.

O responsável adianta que “o que queremos é um aeroporto que sirva a região no melhor sítio possível e sugerimos que se faça uma avaliação de impacto ambiental estratégica [comparando o Campo de Tiro de Alcochete com a solução Montijo]”, até porque “fizeram medições gerais, mas não mediram o ruído do avião e podiam tê-lo feito numa sala de aula ou na casa de uma pessoa e não o fizeram”, realçou.

O presidente afirmou ainda que “o mínimo que podem esperar de nós é um caderno de medidas reivindicativas, mas que não vai resolver os problemas”, tendo em conta a existência de escolas, centros de saúde, espaços culturais e o próprio Hospital do Barreiro, que servem cerca de 36 mil pessoas, apenas nestas duas freguesias, para além da existência de “grandes comunidades de emigrantes” na região.

O responsável questiona como é possível avançar com o projecto, sem que sejam realizadas obras dentro das escolas, realçando que “nem sequer foi feito um levantamento dos equipamentos, pelo que não sabem o que será necessário fazer, mas temos uma ideia do que isso custaria”, disse.

“Processo está todo errado”

“Não houve procura do Governo em acordo nenhum durante dois anos e, agora, quando perceberam que tinham que ter o aval das duas câmaras [Moita e Seixal] é que começaram a querer ter reuniões”, referiu, defendendo que “o processo está todo errado”.
O autarca banheirense destaca que, caso o aeroporto avance, “ficará na História como um golpe palaciano e um ataque à democracia, porque a lei não o permite e já o temos vindo a dizer há muito tempo”.

“Há uma lei a cumprir e vamos exigir que dentro das casas haja conforto acústico”, sustentou, porque “queremos que as pessoas que aqui vivam possam ter condições para viver”.

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