Clube Naval Setubalense celebra um século à vela no coração do Sado

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Em 1920, seis homens fundaram o clube pela paixão ao Sado e aos barcos e para apaziguar dias marcados pela gripe espanhola

 

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Celebra um século de fundação em 2020, o clube que foi criado no tempo em que “os setubalenses queriam recuperar a normalidade interrompida pela gripe espanhola”, conta Hugo O´Neil, presidente do Clube Naval Setubalense.

Com mais de 50 anos de vida ligados ao clube, Hugo O’Neil viaja pela história desta colectividade, símbolo da vela e remo, praticados no coração do Sado, e símbolo da primeira piscina de Setúbal, preparada para o treino de atletas federados e competições. Um projecto conquistado por setubalenses como o sócio número um do clube, Custódio Pinto. O “professor” que ensinou campeões nadar na doca do Naval, entre inspirações para muitas das crónicas que nunca deixou de escrever para O SETUBALENSE.

Desde o dia 6 de Maio de 1920, foram inúmeros os momentos que marcaram o Naval Setubalense, fundado com as ideias de Afonso O’Neill, Carlos Botelho Moniz, Silva Escudeiro, Capitão Cassar, João Teixeira e Virgílio de Sant’Ana.

“Os anos dourados do associativismo vieram nas décadas de 50 e 60. As famílias reuniam-se no clube. Havia regatas de vela. Quem tinha barcos começava a apreender o conhecimento necessário para competir, a especializar-se. Outros vinham para nadar, passar o dia à beira-rio”, recorda Hugo O’Neil.

Até há pouco tempo alguma da tradição das regatas e competições desse tempo “dourado” ainda se mantinha, “com a realização de um evento que decorria em paralelo com a Feira de Sant’iago, quando esta ainda se realizava na Avenida [Luísa Todi]”.
Setúbal recebia navios de guerra, para serem visitados, e veleiros de diferentes pontos do mundo “cujos tripulantes vinham preparados para competir com os setubalenses”.

Hugo O’Neil não esconde que “gostava de ver mais vela de volta ao rio”. Talvez até “outro trabalho desenvolvido com embarcações tradicionais”. Afinal Setúbal tem o seu iate recuperado, símbolo da antiga rota do Sal, hoje utilizado como navio-escola pelo clube. “Mas podia haver mais”, afirma.

 

A mestria da vela e a garra do remo na selecção nacional

Hugo O’Neil, presidente do Club Naval Setubalense, e Filipe Chagas, treinador e atleta de remo do clube

O pós-25 de Abril “foram tempos difíceis, que tiveram uma certa influência na continuidade da prática do desporto náutico. Era preciso disponibilidade financeira e muitas pessoas deixaram de a ter”. O decréscimo de sócios apenas viria a ser recuperado na década de 80.

Vieram nomes como João Cabeçadas, o mais internacional dos navegadores portugueses actuais, que já atravessou o Atlântico 16 vezes. O atleta, que é o Comodoro do clube desde 2003, tem o seu lugar no pódio do Naval Setubalense, onde deu os seus primeiros passos na prática da vela, até chegar o momento de representar o país na Admiral’s Cup e na America’s Cup.

Porém, o Naval Setubalense não tem conquistado mares e rios apenas à vela. “Desde 1998, a prática do remo começou a ganhar notoriedade no clube”, afirma Filipe Chagas, treinador da modalidade e atleta sénior.

Com o impulso do remo, “recuperou-se também a tradição na ginástica, quando o atleta José Martinez regressou ao clube”. E, a partir de 2011, atletas das novas gerações abraçaram estas modalidades e colocaram-se nas respectivas selecções nacionais.
“Exemplo disso são duas duplas de irmãos: Dinis e Afonso Costa e Simão Simões e Marcelo Simões. Atletas de remo federados “e com reconhecidas conquistas em competições nacionais e internacionais”. Nas instalações do Naval, a grande nave ainda encerra o fosso da piscina, “mas agora está preenchido com colchões” rodeado por tapetes, cavaletes e trampolins, que transformaram o espaço “num ginásio de excelência para a prática de ginástica”.

Actualmente o Clube Naval Setubalense conta com cerca de 12 mil sócios, perto de quatro mil praticantes e 450 atletas em competição nas modalidades de vela, remo, natação, patinagem artística, hóquei em patins e ginástica.

 

A piscina sonhada por Custódio Pinto

Custódio Pinto

Custódio Pinto recorda a doca do Naval como “a piscina de Setúbal”, onde ensinou muitos reconhecidos nomes de Setúbal a nadar. Assim foi até Custodio Pinto, com a ajuda de outros setubalenses, que integravam o GRUPIS – Grupo da Piscina de Setúbal, conquistarem a piscina para o Naval, na década de 60.

O ex-bancário de profissão, escritor por talento e professor dedicado nas horas livres, recorda ainda os verões em que a doca do Naval reunia um grande movimento de nadadores. “Para não falar nos festivais e provas oficiais de natação, que clubes como Sport Algés e Dafundo, Nacional, Alhandra, Pedrouços, Sesimbra ali realizavam”.

 

B.I.

Nome: Club Naval Setubalense
Localidade: Setúbal
Data de fundação: 6 de Maio de 1920, 100 anos
Principais actividades: Vela, Remo, Natação, Ginástica, Hóquei Patins
Actual presidente: Hugo O’Neil

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