Festa do Avante reformula espaços para garantir higienização e distanciamento social

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A área da gastronomia vai ter novo funcionamento e vários espaços mais ar livre. As regras sanitárias em primeiro lugar

 

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Perante a insistência da Comunicação Social, o Comité Central (CC) do PCP esclareceu, em Maio, que a “Festa do Avante! não é um simples festival de música, é uma grande realização político-cultural que se realiza desde 1976, muitos anos antes da existência daquele tipo de festivais”.

O SETUBALENSE esteve na Quinta da Atalaia, no Seixal, cenário pela 30.ª vez consecutiva da Festa, com José Pereira, do CC do Partido, e Vasco Paleta, da Direcção da Organização Regional de Setúbal e responsável pelo espaço, lugar de grande confraternização anual dos comunistas e seus simpatizantes e amigos.

“A realização da Festa foi assumida desde o ano passado, pelo que as jornadas de trabalho voluntário para a sua construção, iniciadas a 6 de Junho, estão a bater o pleno. É evidente que, mesmo a laborar, respeitamos as normas de protecção sanitária. Todos os camaradas fazem uso de equipamento adequado, máscara e luvas. Até no refeitório e no bar observamos o distanciamento social, e a higienização das mãos é uma constante”, garantiram os responsáveis.

Regras sanitárias em todo o lado
Na verdade, “entrámos numa outra fase da preparação da Festa que contempla a venda de EP (entradas permanentes), distribuição gratuita do Jornal dos Artistas, colocação de mupis e outdoors e divulgação através da instalação de som móvel”.

Este ano, houve rotação dos locais dos diversos pavilhões. O da região de Setúbal, por exemplo, assentará frente à Cidade Internacional e cerca do Palco da Paz, uma estrutura levantada pela primeira vez na Festa.

O espaço de Setúbal receberá os visitantes sob o lema “Mais direitos, mais emprego, mais desenvolvimento e mais produção”. Revelam José Pereira e Vasco Paleta que “haverá debates de cariz político, cujos temas ainda não estão fechados, mas que andarão, por certo, em torno daquelas palavras de ordem”.

Do choco à massada de peixe

A gastronomia é um dos pontos altos do programa da Festa, sendo difícil saber que petisco, seja de que região for, não se pode provar na Atalaia ou que vinho não se pode degustar. Nesse aspecto, o país inteiro está ali estendido, à disposição de qualquer um. “Vamos manter a oferta gastronómica, com realce para o choco frito e a massada de peixe. Não faltarão os melhores vinhos da região e vários outros acepipes”, dizem os nossos interlocutores, referindo-se ao pavilhão de Setúbal. “A propósito, o espaço da cozinha foi alargado, por uma questão de comodidade de trabalho e defesa sanitária, as cozinheiras, além da protecção habitual, usarão máscaras, e as mesas estão mais espaçadas. Para facilitar o distanciamento social, também será bem maior a área de sombra. Aliás, devemos dizer que as normas sanitárias que todos os restaurantes lá fora cumprem, ou deviam cumprir, sempre foram um ponto de honra nos restaurantes da Festa”.

Além disso, “as coisas estarão dispostas de modo a evitar que os visitantes se cruzem, pelo que o pré-pagamento estará de um lado e o balcão do outro. Deambularão, em regime de permanência, equipas de limpeza, munidas de produtos à base de álcool. É justo que os visitantes da Festa tenham direito a estas condições. Ou seja, de ano para ano, a Festa está melhor, mais funcional, mais atractiva!”

José Pereira e Vasco Paleta chamam a atenção para o “grande impacto” da Festa em muitos capítulos, entre os quais, o social, cultural e político, facto que explica que “todo o bulício que implica uma organização desta grandeza seja compreendido e aceite pela população, quer próxima, quer do distrito”. Atesta-o, por exemplo, o comércio das imediações, para o qual a Festa é um inquestionável “bodo aos pobres”.

Este ano o Palco 25 de Abril, o principal e maior, cresce mais seis mil metros quadrados e o Cine Avante, como outras instalações, não terão cobertura, como, por exemplo, o Espaço do Livro e do Disco. Haverá oito WC de grande capacidade, um consagrado às crianças, que serão limpos e desinfectados a curtos espaços de tempo.

Na sexta-feira, dia 4 de Setembro, as portas da Festa abrirão mais cedo do que o costume: às 15h00, a da Quinta do Cabo, e às 16h00, a da Quinta da Princesa, tudo isto para evitar grandes aglomerações de público. A cerimónia da abertura oficial está marcada, como sempre, para as 19h00.

Aposta forte na diversidade lusófona

O programa artístico da Festa deste ano caracteriza-se por uma forte opção pela lusofonia. Estarão na Atalaia nomes muito conhecidos do panorama musical de vários países, entre os quais citamos Marta Ren, Dead Combo, Xutos & Pontapés, Camané e Mário Laginha, Jazz do Hot Clube de Portugal, Ensemble Manuel Jorge Veloso, Mão Morta, Peste & Sida, Blasted, Scúru, Fitchádu, Capicua, Lena d’Água, Luta Livre, Dino S’Antiago, Rogério Charraz, Uxu Kalhos, Galo Gordo, Anastácia Carvalho (Angola), Costa Neto (Moçambique), Maria Alice (Cabo Verde), EL Sur, Ana Laíns, Aldina Duarte, Stereossauro, Rosa Mimosa y sus Mariposas, Gerson Marta (Angola) e Albert Fish. Cabe aqui uma chamada de atenção para o espectáculo “Amália, Amor e os Poetas”, em honra e homenagem à inesquecível fadista.

Por José Augusto

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