Estacionamento pago a partir de hoje no Hospital do Barreiro

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Apesar dos protestos, o estacionamento passa a ser pago no interior do equipamento de saúde

 

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Com a conclusão das obras de requalificação do campus do Hospital Nossa Senhora do Rosário, realizadas no âmbito de um protocolo estabelecido entre o Centro Hospitalar Barreiro Montijo (CHBM) e o Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), aquele estabelecimento de saúde dá início a partir desta quarta-feira à gestão da zona de estacionamento, que de hoje em diante passa a ser pago, depois de um investimento que ultrapassou os três milhões de euros.

As obras de beneficiação permitiram requalificar as vias de circulação e de estacionamento, tendo sido criadas novas áreas de parqueamento para viaturas, motociclos e bicicletas no interior do recinto. De acordo com o CHBM, as obras possibilitaram “dotar o parque de infraestrutura para carregamento de viaturas eléctricas e, ainda, instalar painéis fotovoltaicos para produção de energia”. Recorde-se que, com esta intervenção, que aumenta a lotação daquela zona de estacionamento “em cerca de 400 lugares”, o hospital irá “desocupar os passeios para uma circulação pedestre mais segura”, que inclui também a colocação de vedação naquele estabelecimento hospitalar.
Durante a operação, realizada por uma empresa associada ao Ministério da Saúde, foi igualmente possível requalificar o mobiliário urbano, reforçar a iluminação existente, bem como os espaços ajardinados, onde foram plantados cerca de 60 exemplares arbóreos, e criadas algumas áreas de sombreamento, frente à escadaria de entrada da porta principal.

Após os trabalhos, que transformaram a imagem do parqueamento do HNSR, estão agora disponíveis um total de 1277 lugares, sendo 21 deles destinados a pessoas portadoras de deficiência física. Incluídos estão também 15 lugares para estacionamento de ambulâncias em serviço, uma zona para viaturas de duas rodas (motorizados ou não), e a instalação progressiva de 41 espaços para carregamento de veículos eléctricos.
O hospital realça que o regulamento do estacionamento e o tarifário a praticar “estão disponíveis para consulta” pelos utilizadores, na “cabine situada junto à entrada exterior” do edifício, existindo “condições especiais em algumas situações”, nomeadamente, para dadores de sangue, cujo valor a cobrar será gratuito nos dias de cada dádiva.

“Vivíamos uma situação de trânsito caótico”

Em declarações a O SETUBALENSE, o presidente do Conselho de Administração do CHBM, Pedro Lopes, explicou no início do mês de Março, a este propósito, que “a circulação interna vai manter-se exactamente como está, havendo vias livres de distribuição do trânsito, pelo que a afluência e o congestionamento do trânsito destas áreas não vão sofrer qualquer tipo de intercorrência, porque uma coisa é termos cancelas à porta do parque, o que iria congestionar a montante, o que não é o caso”, disse, garantido que “as pessoas continuam a circular livremente pelo hospital”.

O responsável afirma que uma das preocupações, com a introdução do parque de estacionamento pago naquele hospital, foi que “os preçários praticados fossem abaixo do que se pratica na cidade, à semelhança do que já acontece em Almada e Setúbal”, tendo destacado “as mais-valias que esta infraestrutura” trará à população.

“Anteriormente vivíamos uma situação de trânsito caótico e, neste momento, vamos prestar um serviço às pessoas, com videovigilância, numa área iluminada durante o dia, sendo reforçada a luz durante o período nocturno, altura em que tínhamos alguns relatos de furtos ou vandalismo de veículos, por tratar-se de um espaço muito grande, pelo que a qualidade de estacionamento passa a ser outra”, frisou.

Comissão de Utentes alertou para falta de alternativas

Recorde-se que no âmbito do processo que conduziu ao pagamento do estacionamento, no início do passado mês de Fevereiro, cerca de 100 pessoas participaram numa vigília de protesto contra a entrada em funcionamento do parque pago, numa iniciativa organizada pela Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro, que reuniu vários representantes de outras comissões de utentes da região, junto à entrada do hospital.

Nessa altura, Jéssica Pereira, daquela comissão, contestou o facto da direcção ter afirmado que aquela seria “uma realidade irreversível”, tendo lembrado que “90% dos habitantes desconhecem que o parque” passa a ser pago. Um dos problemas apontados pela comissão prende-se com o facto da zona circundante encontrar-se “bastante lotada pelos moradores”, pelo que não fazia sentido avançar com esta decisão.

“Isto não faz sentido, porque o Sistema Nacional de Saúde fundou-se gratuito e universal, e perante esta situação estamos a retroceder”, acrescentou então Jéssica Pereira. “A desinformação é aliada deste tipo de medidas e quando as pessoas não sabem, também não protestam”, destacou.

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