Incrível Almadense, a mais antiga e persistente de Almada

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Quase a complementar 172 anos, a Sociedade Filarmónica Incrível Almadense tem resistido à crise dos tempos, e está espevitada

 

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A Sociedade Filarmónica Incrível Almadense (SFIA), mais conhecida com Incrível, nasceu com vista para o Tejo no Pátio Prior do Crato, a 1 de Outubro, em 1848. A comemorar quase 172 anos, é a mais centenária das colectividades do concelho de Almada.

Primeiro teve como objectivo criar uma banda filarmónica, e a vontade do grupo fundador marcou desde logo o caminho da SFIA. A sua história conta que, dois anos antes da sua formação, a Banda Os Cabralistas, de Almada, adepta de Bernardo da Costa Cabral, ministro do governo de D. Maria II, negou-se a participar numa manifestação contra o político do Reino indigitado em 1842.

Daqui nasce a ideia de formar a primeira colectividade em Almada, com banda filarmónica, de alguma forma em contrapoder ao cabralismo que abriu a porta ao crescente poderio de viscondes e barões, que enriqueceram com a compra das propriedades das ordens religiosas, quebradas em 1834, e que vieram a tomar conta da finança e comércio.

“Era incrível nascer uma colectividade em Almada”, conta-se que terá comentado um dos fundadores; e Incrível ficou; firmou-se então a sua banda composta essencialmente por tanoeiros e corticeiros, homens de profissões representativas de uma Almada ainda vila. E ao mesmo tempo que a banda ganhava visibilidade, no seio da SFIA falava-se de política, e assim foi até aos dias da Revolução do 25 de Abril de 1974, e continuou. De entre as várias distinções que recebeu, uma delas foi atribuída por Jorge Sampaio, quando Presidente da República: o Grau de Membro Honorário da Ordem da Liberdade.

A banda, até aos dias de hoje, “nunca parou”, diz Mara Martins, presidente da direcção da SFIA. No início do século XX a colectividade alargou horizontes e inaugura o Salão de Festas e, na Rua Capitão Leitão, o CineIncrível com teatro e cinema, em 1944.
Os bailes no Salão de Festas, nos anos 50 e 60, eram famosos e, em finais dos anos 70, a SFIA unia cerca de 4 mil associados ao mesmo tempo que a actividade cultural, ensino e desportiva crescia. Entretanto, passa por um período menos produtivo, inclusivamente com o encerramento da sala de cinema, “mas nunca fechou portas”, lembra Mara Martins, que diz que actualmente os sócios são cerca de mil.

Manteve o fôlego nas duas décadas seguintes em que, mais uma vez o Salão de Festas volta a ser centro de atenções. “Uma catedral do rock”, diz a dirigente que refere terem passado pelo palco bandas de Almada como os UHF, Xutos & Pontapés, Roquivários, e outras como os Moonspell, de Lisboa, ou Mão Morta, de Braga.

Mais recentemente, a SFIA recebe a banda almadense Da Weasel, que ali fizeram a sua sala de ensaios para o regresso ao palco com o festival NOS Alive, no Passeio Marítimo de Algés deste ano. Com o festival cancelado devido à pandemia, Marta diz que gostava que a banda “continuasse ligada à Incrível”.

Sobre o renascer da Incrível, a dirigente refere os “últimos cinco anos” como o grande élan da colectividade onde a Banda Filarmónica tem ganho consistência, assim como o grupo de teatro que, em média, apresenta 20 produções por ano e participações como no Brasil. “Entre o reportório temos peças de produção nossa para crianças e adultos”.
Representativo é também o Coro e Cavaquinhos, com representações fora do país, como em Praga. Ainda na área da música, para além da sua escola, a Incrível partiu para o ensino desta arte para crianças, por agora na Escola Eugénio Ribeiro, e “para o ano queremos chegar a mais escolas”.

Entre outras actividades, a SFIA marca também presença com a patinagem acrobática e danças. O futuro, afirma Mara Martins, é “fazer crescer todas as nossas áreas de actividade”.

Para além disso, está na calha alargar as parcerias que a colectividade tem na área da saúde, com empresas comerciais e empresas. “Neste momento, temos uma parceria com uma clínica dentária em que os nossos sócios “têm 30% de desconto em vários tratamentos”. “Estamos muito direccionados para o trabalho com a sociedade, e diversificar o nosso trabalho”, acrescenta.

Quanto à antiga sala de cinema, neste momento a ser gerida pela Associação Criativa Alma Danada, a dirigente espera que o projecto resista à anormalidade dos dias causados por uma pandemia que obrigou a suspender as salas de espectáculos.

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