Vitória explica tudo e entrega recurso

127
visualizações

Um dia depois de ter entregue recurso ao impedimento de se inscrever nas competições profissionais, o Vitória emitiu esta terça-feira novo comunicado a justificar as razões pelas quais não pôde realizar uma assembleia-geral urgente e decisiva para apresentação da garantia de pagamento de dívidas fiscais. No documento, assinado pelo presidente da Mesa da Assembleia-Geral, Cândido Casimiro, são apresentadas explicações sobre o desenrolar da situação que culminou com a decisão, até ver, de despromoção dos sadinos.

- Pub -

Abaixo confira o comunicado na íntegra.

“A Mesa da Assembleia Geral recebeu, em 31 de julho último, o pedido da Direção de convocação de uma Assembleia Geral, com caráter de urgência, com vista à ratificação dos actos de gestão do Presidente da Direção, na aceitação da doação e oneração (hipoteca) de 65 lotes de terreno doados pela Câmara Municipal de Setúbal ao Vitória Futebol Clube, destinados a serem hipotecados, como garantia de pagamento de dívidas fiscais da VFC SAD.

Como a cidade de Setúbal está integrada na área Metropolitana de Lisboa, está sujeita ao estado de contingência no âmbito do combate à pandemia provocada pela Covid-19, pelo que as restrições, condicionamento dos movimentos e concentração de pessoas é mais severa e impõe particulares cuidados para evitar a propagação do vírus.

Nesse sentido, foi pedida à Direção Geral da Saúde, na pessoa do Senhor Delegado de Saúde Regional de Lisboa e Vale do Tejo, Dr. Mário Durval, autorização para a realização da assembleia e as medidas a tomar na mesma.

Alertamos nesse pedido, para a previsível concentração na via pública e participação de elevado número de associados, para as naturais e desejáveis intervenções, muitas das vezes acaloradas .Apesar de nos comprometermos a respeitar as regras básicas, de uso de máscara/viseira e marcação de lugares, demos ênfase às dificuldades para ser mantido, sempre, o distanciamento das pessoas.

Perante a situação concreta e tendo em conta o estado de contingência a Direção Geral da Saúde, NÃO AUTORIZOU a realização dessa Assembleia Geral, com o que nos conformamos.

Ao invés, a Direção Distrital de Finanças de Setúbal entendeu dever exigir a apresentação do registo definitivo dessa hipoteca, apesar desta já estar registada, ainda que provisoriamente, a seu favor, o que só é possível com a deliberação/ratificação da Assembleia Geral.

A provisoriedade do registo deve-se unicamente à falta de poderes do Presidente da Direção para o ato, sendo que a remoção das dúvidas, que torna o registo definitivo, pode ser feita nos 2 meses imediatos à escritura de hipoteca dos lotes.

Os poderes do Presidente da Direção têm de ser concedidos pela Assembleia Geral, em cuja ordem de trabalhos constava, e vai constar, a ratificação da gestão feita. Porém Assembleia Geral não podia, nem pode reunir agora, por instruções concretas da Direção Geral da Saúde.

Na verdade, a Área Metropolitana de Lisboa, onde a cidade de Setúbal está inserida, está sujeita a restrições mais severas do que o resto do País. O Governo tem salientado o particular cuidado de ser feito um desconfinamento seguro, mantendo a obrigação da marcação prévia do atendimento pelos serviços públicos, para evitar precisamente a concentração das pessoas que podem por em causa o distanciamento social tão necessário no combate à epidemia da Covid-19 , o que motivou, certamente, a decisão do Senhor Delegado de Saúde Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

Vamos aguardar que o estado de contingência seja levantado, o que se prevê para meados do mês, para então, cessado o justo impedimento, fazermos a convocação para nos encontrarmos em Assembleia Geral para discutir e encontrar soluções que melhor sirvam o nosso Vitória.

A Direção da Liga e a sua Comissão de Auditoria fecham os olhos a situações públicas e graves de incumprimento de outros clubes, numa vergonhosa cedência a outros interesses. Apesar disso queremos acreditar que será feita justiça.

Alguns agentes desportivos, felizmente poucos, querem destruir-nos.
Mas não conseguirão, porque o Vitória FC é uma instituição centenária, nascida do povo e que pertence ao povo setubalense, que o saberá defender e perpetuar, como ainda ontem demonstrou numa manifestação espontânea, com a participação de mais de dois mil vitorianos, a quem penhoradamente agradecemos o apoio.”

Recurso entregue na véspera

Na véspera, os sadinos, também através de comunicado, anunciaram que já recorreram da decisão sancionatória.

“O Vitória Futebol Clube informa que entregou, esta segunda-feira, o recurso ao Conselho de Justiça (CJ) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), no seguimento da decisão da Liga Portugal de chumbar a inscrição do clube nas competições profissionais na época 2020/21”, anunciou o clube, em comunicado publicado no sítio oficial na Internet.

Depois do processo de licenciamento ter sido reprovado na passada quarta-feira, o emblema setubalense apresentou a sua defesa no último dos três dias úteis de prazo em que o podia fazer.

“Face à complexidade do processo e à necessidade de apresentar uma defesa sólida, detalhada e totalmente fundamentada, todos os minutos foram determinantes na elaboração da contestação, pelo que só agora foi possível entregar a documentação solicitada para o efeito”, informou.

O Vitória de Setúbal, que tem como representantes no processo a CMB Advogados, sociedade sediada no Porto, mostrou-se otimista num desfecho positivo.

“É, portanto, com muita confiança e otimismo que aguardamos agora a decisão do CJ, na certeza de que foram retratados os fundamentos inequívocos que justificam a posição do nosso clube”, refere.

O comunicado termina com uma palavra de gratidão aos adeptos que têm estado ao lado do clube: “A finalizar, um agradecimento especial a toda a família vitoriana pelo fantástico apoio demonstrado ao longo desta dura caminhada. Assim, unidos, vamos conseguir vencer esta dura batalha”, vincou.

Além do Vitória de Setúbal, a LPFP excluiu também das provas profissionais o Desportivo das Aves, que tinha sido despromovido à II Liga, depois de ter terminado na 18.ª e última posição, enquanto os setubalenses tinham assegurado a permanência, ao terminarem no 16.º lugar.

A Liga de clubes convidou o Portimonense, que tinha sido 17.º posicionado e despromovido, a manter-se na I Liga e o Cova da Piedade e o Casa Pia a manterem-se na II Liga, depois de terem sido despromovidos administrativamente, com o cancelamento do segundo escalão, devido à pandemia de covid-19.

Com Lusa

Comentários

- Pub -