União e Trabalho: “Esta associação traz um ensino musical de excelência ao concelho do Montijo”

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Os elementos que integraram a composição da Banda em 1956

Ao fim de 121 anos de existência, a colectividade mantém acesa a chama da tradição na freguesia de Sarilhos Grandes

 

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Pela vontade de Severo da Silva Firmino, agricultor abastado da freguesia de Sarilhos Grandes, e de Manuel Frederico Ribeiro da Costa, “pároco de então”, nasceu, no dia 18 de Dezembro de 1898, a Academia Musical União e Trabalho (AMUT), fundada “com o fim de realizar saraus musicais, ensaios de música e dança, jogos não proibidos por lei e tudo o mais que aos associados pudesse servir de instrução e recreio”. Para a sua criação, “o agricultor cedeu à igreja da freguesia um terreno para que fosse constituída a colectividade, com o propósito de ensinar música à população local”, começa por contar Carlos Alcaide, actual presidente da AMUT.

“A banda filarmónica foi formada, inicialmente, apenas por músicos voluntários, mas existiu um crescimento na sua composição com o passar dos anos. Actualmente conta com cerca de 60 músicos, sendo de realçar o nível artístico atingido nas décadas de vinte, cinquenta e oitenta do século passado”, acrescenta. Apesar dos tempos terem mudado, assim como mudaram os interesses da população, Carlos Alcaide considera que “os objectivos com que a associação foi criada ainda hoje se mantêm: o de ensinar música, desígnio que é cumprido pois o ensino e a divulgação da música sempre foram uma das principais prioridades para os seus sócios e dirigentes”. Por este motivo, considera que a “colectividade traz um ensino de musical de excelência ao concelho do Montijo e porque, no meio onde está, sendo a freguesia de Sarilhos Grandes pequena, é uma das poucas actividades que mantém viva as tradições”.

Para além da banda filarmónica, a colectividade promove actualmente, também, peças de teatro, actividades desportivas como danças de salão, cardio latino, zumba, danças orientais, hip-hop, kickboxing e charanga, numa tentativa “de entreter o público e de conseguir cativar os jovens, utilizadores das novas tecnologias, as maiores concorrentes do movimento associativo”. “Temos uma grande camada jovem, entre os 7 e os 18 anos, que participa activamente na vida da colectividade, pelo que temos conseguido semear o interesse pela cultura e pelo desporto”, afirma.

Ao longo dos últimos 121 anos, “a AMUT passou por muitos altos e baixos, mas um destes momentos revelou-se crítico, devido à falta de capital para o financiamento de instrumentos e de fardas, levando à sua suspensão em 1990, situação que se manteve até 2000, ano em que o ensino da música foi retomado”. Por sua vez, “em 2006, graças à congregação de esforços da direcção, da Câmara Municipal do Montijo, que disponibilizou-se para ajudar financeiramente, da Junta de Freguesia de Sarilhos Grandes, dos novos aprendizes e dos antigos filarmónicos, sem esquecer a colaboração de outros músicos amigos, foi possível reactivar a banda filarmónica, que, neste momento, se encontra em total funcionamento, dirigida pelo Maestro Joaquim Silva”, revela o presidente da associação, acrescentando que, a nível de instrumentos, “a AMUT está bem equipada”. “Temos tubas, clarinetes, saxofones, baterias. Contamos praticamente com todos os instrumentos necessários. Falta-nos um oboé, que estamos a tentar adquirir com a ajuda da Câmara Municipal do Montijo”, conta.

Para o futuro, Carlos Alcaide tem como “objectivo levar a música da AMUT a muitos mais palcos, para além do distrito de Setúbal e passa, certamente, por apresentar a sua música fora do País”, mas a pandemia veio “estragar muitos planos”. “Neste momento não sei mesmo como vamos fazer, tenho até medo dos tempos que estão para chegar”, conclui.

Actuações limitadas por falta de capacidade financeira

Com cerca de 60 músicos, provenientes de vários concelhos do distrito de Setúbal, a banda filarmónica da Academia Musical União e Trabalho “tem actuado não só no Montijo e no distrito, como por todo o país”, mas a vontade de ir a “muitos mais lugares é enorme”. “A nível distrital vamos muito à Moita, Alhos Vedros, Barreiro, Santo Estevão e a tudo o que é terra. A nível nacional temos ido ao Crato, fomos convidados para actuar na Covilhã e recebemos diversos convites para actuar até fora de Portugal, mas não temos saído ultimamente muito da zona do Montijo pois não temos tido capacidades financeiras para suportar os elevados custos inerentes às deslocações”, confessa. Para Carlos Alcaide, estas actuações são essenciais “pois acaba por ser criada uma ponte de ligação entre freguesias e concelhos”.

“Verificamos com muita frequência se a autarquia tem disponibilidade em termos de transporte que nos possa facultar e costumamos alugar autocarros de empresas exteriores para o efeito. Apesar de não termos razões de queixa para o que nos é cedido, tal não chega para o que são as nossas necessidades”, afirma o presidente da AMUT, acrescentando que “existe, também, o objectivo de ultrapassar esta dificuldade”.

B.I.
Nome: Academia Musical União e Trabalho
Também conhecido por: AMUT
Localidade: Sarilhos Grandes – Montijo
Data de fundação: 18 de Dezembro de 1898
Principais actividades: Banda Filarmónica, Escola de Música e Actividades Desportivas
Actual presidente: Carlos Alcaide

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