Bombeiros Voluntários do Montijo: “Todos os que aqui trabalham são bombeiros com vontade”

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Veículos actuais ao serviço da corporação dos Bombeiros Voluntários do Montijo

Com “um corpo de bombeiros de excelência”, a ambição para o futuro passa pela requalificação do actual quartel, no valor de meio milhão de euros

 

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Na sequência de “um grande incêndio que alastrou na Aldeia Galega por volta do ano de 1900”, e por não existir na época uma “corporação para actuar”, “Cândido José Ventura, presidente da Sociedade Filarmónica 1.º de Dezembro, avançou com o projecto e fez aprovar a iniciativa de uma quermesse cujo produto seria aplicado na formação de um corpo de bombeiros voluntários”, começa por contar Américo Moreira, comandante dos Bombeiros Voluntários do Montijo, com base na informação publicada no livro dedicado à corporação. Foi, assim, com o montante angariado, fundado a “1 de Janeiro de 1909 o corpo de Bombeiros Voluntários do Montijo”, no qual “Álvaro Valente desempenhou uma actuação proeminente como comandante dos Bombeiros Voluntários do Montijo e fundador da Liga dos Bombeiros Portugueses”, reunindo, numa fase inicial, “os seus elementos na casa do material de incêndios, sediada na actual Praça da República”, lê-se no mesmo livro.

Até ao ano de 1914 a corporação foi crescendo, mas “as consequências da Primeira Grande Guerra, a instabilidade política e o surto da pneumónica tiveram repercussão na vida dos bombeiros, com a corporação inoperante por falta de voluntários e de direcção capaz”. A situação apenas viria a resolver-se através da ajuda da Câmara Municipal e da “formação de uma comissão administrativa, à frente da qual se colocou Cândido José Ventura”, momento em que “o comando é entregue a Eugénio Borges Sacôto”.

Assim funcionou durante cinco anos, até que “se dá uma adequação institucional, com a passagem da corporação a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários”. Foi também neste período “que se avançou para a ideia de se construir um quartel num terreno da Câmara Municipal de Aldeia Galega, situado na Praça Gomes Freire Andrade”. O espaço, entretanto demolido, viria a ser inaugurado a 1 de Janeiro de 1929, no dia do 21.º aniversário da corporação.

Volvidos 60 anos, foi inaugurado um novo quartel e, dentro das suas instalações, nasceu o museu dedicado ao bombeiro, onde se “encontram expostas viaturas que funcionaram ao serviço dos bombeiros”. As novas instalações, situadas “na parte nova do Montijo”, permanecem “com a missão de ajudar a população, sob o mote Vida por Vida”, através do contributo de “cerca de 40 veículos, de 42 bombeiros e de 70 voluntários”, conta o comandante. “A nível de profissionais, possuímos um corpo de bombeiros de excelência. Para se ser bombeiro tem de se fazer aquilo que se gosta, e todos os que aqui trabalham têm essa vontade. Em termos de veículos, devemos muitos à autarquia do Montijo, que nos tem auxiliado”, afirma.

Para o futuro existem “grandes ambições”. Depois de 45 anos ligado aos Bombeiros Voluntários do Montijo, o comandante Américo Moreira vai terminar a sua “parte activa daqui a um ano e meio”, mas prevê “um bom futuro para a corporação”. “Eu indo embora sei que o corpo de bombeiros vai ficar bem-dotado de homens. Sempre pude contar com eles para todas as ocorrências e sei que assim vai continuar”, diz. A nível de intervenções, Amável Pires, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Montijo, revela que existe o desejo de ser executado “um projecto para requalificar as instalações do quartel, no valor de meio milhão de euros, que inclui o ampliamento do espaço para a recolha das viaturas”. “Para a sua realização estamos a aguardar o apoio monetário por parte do Estado. Uma outra situação que tem de ser corrigida é o facto de o telhado ser feito de amianto”, conclui.

Associação pretende cativar montijenses a tornarem-se sócios

Com cerca de 1 700 associados, Amável Pires diz que “o número de sócios tem vindo a decrescer nos últimos anos”, pois “antigamente o quartel situava-se no centro do Montijo e as pessoas, “sem quererem”, estavam lá dentro”. “Hoje em dia há um desligar evidente da associação, em que a comunidade apenas recorre aos bombeiros por extrema necessidade, devendo-se, também, ao facto desta não ser maioritariamente natural do Montijo. O local onde o actual quartel se encontra instalado também contribui para este decréscimo”, refere, acrescentando que “em grande parte a idade dos actuais associados encontra-se nos 70 anos”.

Existe, no entanto, a ambição de aumentar o número de associados. “Os sócios associam-se porque precisam dos bombeiros, mas são os bombeiros que precisam dos sócios. São estes que votam na direcção da associação e que contribuem para a vida associativa dos bombeiros do Montijo. Tentamos cativar as pessoas para que se inscrevam, informando que têm 30% de desconto nos serviços prestados e que estes são transmissíveis aos seus familiares próximos. Queremos, ainda, que os bombeiros voluntários se tornem sócios auxiliares, ou seja, que não contribuam monetariamente, mas que o seu contributo seja entregue em trabalho”, explica.

B.I.
Nome: Bombeiros Voluntários do Montijo
Também conhecida por: Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Montijo
Localidade: Montijo
Data de Fundação: 1 de Janeiro de 1909
Principais actividades: Combater incêndios e ajudar a comunidade em situações de risco
Actual presidente: Amável Pires
Actual comandante: Américo Moreira

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