9 Março 2021, Terça-feira
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“A AF Setúbal terá de apresentar uma voz mais activa na defesa dos clubes”

“Nas próximas semanas, falarei com todos (os clubes), sem excepções para recolher contributos e preocupações”, avançou Nélson Melo

 

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Que razões o levam a candidatar-se à liderança da Associação de Futebol de Setúbal (AFS)?

São essencialmente três: um forte pedido de pessoas amigas que acreditam ser eu a pessoa certa para assumir este projecto; ter conseguido constituir uma equipa de trabalho, composta por elementos com larga experiência nas áreas onde vão trabalhar que me dão confiança de que podemos desenvolver um excelente trabalho, e por outro lado, são as razões do coração. A minha vida é o desporto desde os seis anos, e acredito que nas minhas capacidades, para dar resposta a este projecto e ainda mais, nas enormes capacidades da equipa que estamos a construir.

Que balanço faz do trabalho do actual presidente da AF Setúbal, Francisco Cardoso?

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Gosto da máxima “não precisamos apagar a luz do próximo para que a nossa brilhe”. No entanto, a nossa concepção é de que a AFS terá de apresentar no futuro, uma voz mais activa na defesa dos interesses dos clubes, junto das instâncias desportivas. Nunca poderemos esquecer o passado e os feitos grandiosos do nosso distrito, na história do futebol português. Desde vários clubes, na primeira divisão e nas competições europeias, não esquecendo que do nosso distrito saíram grandes jogadores, como o Ricardo, o Figo, o Futre e o Chalana, apenas para mencionar alguns que prestigiaram o nome de Portugal na Europa.

Na actualidade, saliento a importância de dialogar com os clubes sobre os projectos das academias/clubes dos grandes clubes. Estas funcionam no nosso distrito, contudo deveremos perceber se são positivas ou negativas para o nosso associativismo e de que forma as podemos regulamentar, sempre de acordo com a voz dos clubes. Em síntese, deveremos encontrar um plano estratégico com os nossos parceiros (clubes), que inverta a lógica de desenvolvimento negativo. Por outro lado, no sector da arbitragem teremos de repensar toda o projeto. Desde a captação, à retenção e à formação dos jovens árbitros. Já tivemos vários árbitros internacionais em simultâneo, neste momento não temos nenhum e a representatividade ao nível da elite é quase nula. Apesar das circunstâncias actuais não serem as melhores, temos árbitros com grande valor no distrito.

Já conseguiu os votos de 20% dos clubes, necessários para apresentar a candidatura?

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Serão muitos mais e se assim não fosse não seria candidato. Este é um movimento forte e que será vencedor, porque temos os clubes no centro da nossa acção. O período eleitoral ainda não começou, e seria ilegal se já estivesse a proceder a recolhas formais. Nas próximas semanas, falarei com todos os clubes, sem excepções, para recolher contributos e preocupações.

Queremos que o serviço que vamos prestar aos clubes seja de qualidade. Temos também a concepção do clube parceiro da associação na promoção da prática do futebol, do futsal e do futebol de praia. Queremos muito ouvir e trabalhar com os clubes e para os clubes. Sem clubes não há associação. Sou dirigente de um clube sediado num bairro social de Lisboa e sei bem as dificuldades que os dirigentes sentem, às vezes até para as deslocações, equipamentos, inscrições e inclusive para os lanches dos atletas.

Caso seja eleito, quais serão as suas prioridades?

A prioridade são os clubes. Iremos tentar todas as formas de diminuir as despesas com as inscrições de jogadores e com a taxa de organização de jogos, mas reconheço que o actual momento económico do país não permite fazer promessas que se tornem impossíveis de cumprir. Para que isto seja possível, vamos procurar patrocinadores para as competições distritais. Aumentar a oferta de formação de treinadores, massagistas, árbitros e dirigentes desportivos. Queremos também convidar os pais dos atletas a estarem numa formação simplificada. Os pais são fundamentais no futebol de formação, e parceiros privilegiados para o fomento da prática desportiva.

Em termos pessoais, o que pode acrescentar à AF Setúbal?

Toda a minha vida foi ligada ao desporto, sou profissional de Educação Física e Desporto, fui árbitro, estou habituado a trabalhar em contextos adversos e sob enorme pressão. Desenvolvi capacidades de liderança, assertividade, comunicação e trabalho em equipa, que acredito serem fundamentais para o exercício do cargo.

O que é necessário fazer para atenuar os problemas que a pandemia trouxe aos clubes?

A proximidade com todos os clubes, a sensibilidade para as dificuldades e a procura de parceiros estratégicos serão fundamentais para reduzir esses mesmos efeitos negativos.

Teria procurado fazer alguma coisa de diferente nesse período caso fosse o responsável máximo da Associação?

Certamente que sim, mas sinceramente não é objectivo da nossa equipa aproveitar uma pandemia que já ceifou milhares de vidas, para apontar o dedo à actual direcção. Respeitamos para sermos respeitados. O respeito tem de ser um valor primordial no Desporto e na vida.

Considera que estão reunidas as condições para arrancar com todas as provas organizadas pela AFS?

Esse tipo de decisões pertence à Direcção Geral da Saúde. Claro que estamos preocupados com a situação e sabemos que a lista vencedora terá um caminho difícil pela frente. Da nossa parte, estamos preparados para dar resposta a tudo o que for possível, não esquecendo que os organismos governamentais, federativos, autárquicos e o tecido empresarial são nossos parceiros. Não estamos sozinhos.

 

Como vê o processo que ditou a queda do Vitória FC, emblema mais representativo da Associação, para o Campeonato de Portugal?

Naturalmente, olho para esta situação com tristeza, até porque fui ex-atleta do clube, no entanto temos de acreditar que no curto prazo o Vitória irá voltar à elite do futebol português. Enquanto Associação de Futebol de Setúbal tudo faremos dentro do quadro legal para apoiar os nossos clubes, o seu sucesso é o nosso sucesso.

De que forma teria procurado ter um papel activo neste processo?

Como sabe, a Associação de Futebol não tem poder de decisão neste tipo de situações, apenas defendemos que o tratamento dado aos clubes do nosso distrito seja igual aos clubes de outros distritos. Assim, ficaremos atentos a situações semelhantes que possam surgir no futuro, sempre na defesa intransigente dos interesses dos nossos clubes. Todavia, gostaríamos de ter visto uma intervenção mais enérgica da Associação de Futebol de Setúbal e do seu presidente em defesa do Vitória FC, tal não nos pareceu ter acontecido.

Teme as consequências que uma ausência nas provas profissionais possa ter no Vitória e na cidade de Setúbal? Está em risco o futuro do clube?

Encaro esta situação com muita preocupação, tenho a noção do impacto financeiro negativo que esta situação irá provocar na cidade e no clube, mas não nos podemos focar no problema, mas sim nas soluções.

Que mensagem deixa aos emblemas filiados na Associação?

Em primeiro lugar, gostaria de lembrar que a AF Setúbal é composta pelos clubes e todos os agentes desportivos envolvidos, incluindo os pais dos jovens atletas. Pretendemos dinamizar reuniões com os clubes filiados para discutir a reformulação do formato das competições, de futebol, futsal e futebol de praia; apoiar o desenvolvimento das Escolas de futebol e futsal nos clubes; desenvolver uma política de cooperação entre o Desporto Escolar, a AF Setúbal e os Clubes Distritais; apoiar e desenvolver a actividade das selecções distritais de Futebol e Futsal na descoberta de novos talentos; desenvolver acções de formação de treinadores, dirigentes e enfermeiros/massagistas; pugnaremos pela obtenção de “naming” para as competições de forma a minimizar custos de organização; a sustentabilidade dos clubes será uma das nossas prioridades, criar condições para que os clubes possam viabilizar os seus projectos desportivos; solicitar uma auditoria às contas da Associação (não porque duvidemos de alguém, mas porque queremos saber com o que contamos, nesta fase difícil com a Pandemia) de forma a ter uma avaliação correcta da actual situação financeira e ver como minimizar os custos das organizações e das inscrições e seguros dos clubes; não esquecer os clubes da zona do Alentejo, optando por uma política de proximidade que os auxilie nas despesas enormes de deslocação que são obrigados a suportar; aumentar a aposta no desenvolvimento do futsal e do futebol de praia (criação de um campeonato distrital); reforçar o apoio ao desenvolvimento do Futebol Feminino; criar condições para a organização de um campeonato distrital de veteranos nas três modalidades.

O universo da AFS representa aproximadamente cem clubes filiados, daí o nosso lema “cento e uma vontades, um projecto”. Por fim, apresentamos ainda os três eixos fundamentais a que nos comprometemos com os nossos clubes. Missão: a promoção e o desenvolvimento da prática do futebol, do futsal e do futebol de praia, desde a formação até aos seniores, não esquecendo o género feminino. Visão: colocar a AFS no topo das boas práticas de desenvolvimento desportivo das modalidades de futebol, futsal e futebol de praia. Valores: Respeito, Liderança, Proximidade, Inovação, Integridade, Qualidade, Equidistância, Confiança e Paixão. Uma palavra final, deixo um apelo ao tecido empresarial para apoiar os clubes do nosso distrito, o desporto é sem dúvida uma forma privilegiada de promoção das empresas e dos vossos produtos e serviços.

PERFIL

Nélson Melo, 43 anos (18/12/1976), natural e residente no Barreiro. Professor de Educação Física e Professor Universitário na Licenciatura em Desporto do Instituto Superior de Ciências Educativas. Doutorando na Faculdade de Educação Física e Desporto, da Universidade Lusófona desde 2019. Licença de Treinador Futebol UEFA C.

Ex- árbitro da 3.ª Categoria nacional de futebol; da 2ª Categoria nacional no Futsal e da 1ª Categoria nacional de futebol de praia. Formador de árbitros de futebol e futsal da AFS. Co-autor do livro “A ciência da arbitragem” editado pela Federação Portuguesa de Futebol. É analista de desempenho desportivo da Casa do Benfica em Loures, na modalidade de futebol de praia na divisão de elite.

Foi dirigente no Núcleo de Confraternização de Árbitros de Futebol do Barreiro, segundo secretário da Assembleia Geral da Associação de Atletismo de Lisboa e presidente da Assembleia Geral do GD Águias da Charneca.

Ricardo Lopes
Jornalista
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