6 Março 2021, Sábado
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Edição Especial. Culto tricentenário mantém tradição em Honra de Senhora da Boa Viagem

Homenagem a padroeira da vila e das gentes do rio realiza-se desde o século XVII

 

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As Festas que são um dos maiores orgulhos da Moita e que já contam com séculos de história, num culto em Honra Nossa Senhora da Boa Viagem, regressam entre os próximos dias 13 e 17, em moldes diferentes dos habituais e adaptados à situação actual da pandemia Covid-19, este ano, apenas como “comemorações”.

 

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Durante este mês, altura em que têm lugar as tradicionais festas, o município moitense e a Comissão Organizadora decidiram que em 2020 os festejos decorrem com outra designação, tendo a programação – que normalmente atrai milhares de pessoas àquela localidade –, sido reduzida a pequenos eventos simbólicos e com o apelo à população para que não se registem ajuntamentos de pessoas na rua.

O ponto de partida das celebrações acontece logo pela manhã, pelas 11h30, com a Missa Solene, excepcionalmente, a partir do quintal da Igreja Paroquial, por se tratar de um espaço “mais arejado” e permitir a realização da mesma, que antecede, às 18h30, a Procissão em Honra da Padroeira da vila, que só sairá à rua transportada num veículo dos Bombeiros, sem as imagens dos restantes Santos e sem qualquer paragem pelo percurso, que incluirá todas as zonas daquela localidade.

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A organização garante que a população poderá assistir à passagem do andor, preferencialmente, desde casa e à janela, para que sejam respeitadas todas as normas da Direcção-Geral de Saúde relativas a estas manifestações. As festividades, que costumam incluir o momento da bênção dos barcos tradicionais do Tejo, outra das riquezas do concelho, onde as embarcações são abençoadas para que “todos os navegadores obtenham êxito nas suas empreitadas”, serão reservadas à presença do proprietário de cada barco e de um acompanhante.

A nível histórico e de acordo com uma publicação da Revista Tauromaquia, datada de 2003 e a propósito deste momento, o Padre José Carlos Tavares referiu que “perderam-se nos tempos as origens das festividades”, feitas pelo seu povo e que são hoje “a expressão fiel do bairrismo e empreendimento” dos moitenses.

Em tempos passados, a “fé das gentes, que se ocupavam na faina da pesca ou no transporte de passageiros e mercadorias, e dos próprios viajantes, justificava assim a grande devoção”, explicou. Com o passar dos anos, o lugar “atingiu um desenvolvimento notório” e a população optou por tornar-se devota de Nossa Senhora da Boa Viagem, comprometendo-se a “ampliar a Ermida”, construída ao Mártir de S. Sebastião, o que veio a acontecer em 1692.

Entre os anos de 1700 e 1800 e já depois da aldeia da “Mouta” ter sido elevada e freguesia e a vila, evoluiu “bastante e já tinha escola oficial, um cirurgião, um boticário e era sede duma companhia de ordenações”, sob o comando de um capitão-mor. Todavia e segundo o pároco, o culto é “simultâneo” à construção da própria Igreja Paroquial, no ano de 1719, pois anteriormente as Honras eram prestadas na Ermida de São Sebastião, que data do século XIV e que foi erguida por Bartolomeu Gonçalves, actualmente, pertença do cemitério municipal. A data oficial do arranque do certame, acabaria por vir a ser fixado no ano de 1734, altura em que a população começou a unir-se para, anualmente, assinalar o momento de devoção.

 

Dos milagres da Padroeira à distribuição dos andores

 

“À Padroeira da Moita do Ribatejo são atribuídos muitos milagres, descritos e desenhados em vários quadros da Igreja” da vila, refere a mesma publicação, que contou com os apoios da Câmara e Junta de Freguesia local. Já no início do século passado, em 1900, a Moita e a Procissão “transfiguram-se” para acolher os festejos, com a realização de um arraial que, desde então, começou a crescer de ano para ano, tornando-se numa manifestação “única” na região e uma das que atrai um maior número de visitantes ao concelho.

Nas primeiras décadas, as ruas principais e a zona do cais, enchiam-se de bandeiras, que saudavam a passagem da Padroeira pelas artérias da localidade. Ao mesmo tempo, eram armadas barracas nas traseiras dos Paços do Concelho e os botes, na zona ribeirinha, ficavam igualmente embandeirados.

Habitualmente, a data era ainda marcada por vários baptizados e casamentos, que hoje deram lugar a que muitos moitenses decidam marcar as suas férias para o período das festas, num encontro entre as tradições religiosas e tauromáquicas, com a realização de largadas e de corridas, na Praça de Toiros Daniel do Nascimento, que no passado mês de Julho, completou 70 anos de existência.

Apesar da ausência nas comemorações deste ano, o cortejo da Procissão é normalmente formado pelos andores de São Luiz Gonzaga, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santo Amaro, Santa Luzia, São Lourenço e São Sebastião. A estes, junta-se o andor do Menino Jesus, Santo António, Nossa Senhora dos Prazeres, São João Baptista e Nossa Senhora de Lourdes. Acrescente-se a presença das imagens de São Miguel, Nossa Senhora do Carmo, São Pedro, Nossa Senhora da Conceição, São José, para além de Nossa Senhora de Fátima, do andor do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora da Boa Viagem, igualmente conhecida pela sua protecção aos marítimos.

 

CRONOLOGIA

Terra de tradições marcada pela devoção

1692
Ermida é ampliada

População do lugar da “Mouta” decide ampliar Ermida de S. Sebastião, erguida por Bartolomeu Gonçalves, após optar por tornar-se devota de Nossa Senhora da Boa Viagem.

1700/1800
Moita passa a ter escola oficial

Após elevação a freguesia, sítio regista forte crescimento e já possuía, entre outros, uma escola oficial e era sede de uma companhia de ordenações.

1719
Culto religioso ganha força

Culto à Nossa Senhora da Boa Viagem é “simultâneo” à construção do edifício da Igreja Paroquial da Moita, onde passam a realizar-se os principais actos solenes.

1734
8 de Setembro

Altura em que a população moitense começa a unir-se para, anualmente, assinalar o momento de devoção à sua Padroeira, através das suas festas.

1900
Arraial nas traseiras dos Paços do Concelho

A Moita e a Procissão “transfiguram-se” para acolher festejos, pela primeira vez, com a realização de um arraial junto aos Paços do Concelho e com os botes devidamente embandeirados.

1950
16 de Julho

É inaugurada a Praça de Toiros Daniel do Nascimento, após incêndio na antiga Praça da Caldeira, tendo o novo espaço ocupado uma grande importância na localidade, para o início das tradições tauromáquicas no seio da comunidade.

2020
Pandemia ameaça Festas

Com a chegada da pandemia Covid-19 a Portugal, em Março deste ano, a Câmara Municipal da Moita viu-se obrigada a repensar a realização das festas, tendo optado por adaptar as festividades a um novo modelo, apelidado de “comemorações”.

Luís Geirinhas

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