“Apelo aos autarcas do PCP que ainda restam no distrito para que viabilizem o aeroporto”

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António Mendes em discurso

A infra-estrutura projectada para o Montijo volta a ser bandeira eleitoral do PS na região. “É um investimento estruturante”, defende o presidente da distrital socialista, que antecipa o nome de quem irá candidatar-se pelo partido à autarquia de Alcácer

 

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António Mendonça Mendes já joga ao ataque, na antecâmara das autárquicas de 2021. A distrital do PS definiu a estratégia a seguir nos próximos dois anos e o principal objectivo está mais do que assumido: tornar o partido na primeira força política autárquica no distrito.

À margem do XIX Congresso Federativo, que decorreu no domingo em Alcochete, o presidente da estrutura distrital apontou baterias ao PCP e reergeu a bandeira do aeroporto para o Montijo, com um apelo em tom provocatório aos comunistas. Ao mesmo tempo, avançou que a deputada Clarisse Campos irá recandidatar-se à autarquia de Alcácer do Sal e desvalorizou a candidatura de Dores Meira a Almada. Até porque, justificou, a presidente socialista Inês de Medeiros “é a imagem do cosmopolitismo e do desenvolvimento”.

Que respostas diferentes tem o PS para apresentar ao eleitorado do distrito de Setúbal no actual contexto pandémico? Qual será a prioridade de acção para conseguir manter as cinco autarquias que detém e juntar a estas pelo menos mais duas?

Há um ponto que é essencial e distintivo nas posturas do PS e do PCP nas autarquias. O PCP está sempre a arranjar desculpas para não resolver os problemas das pessoas. É muito comum ouvir as autarquias do PCP a atirar todas as responsabilidades para o Governo central. A nossa postura é exactamente contrária. Os autarcas do PS não regateiam esforços para resolver os problemas. Depois resolvem as questões com o Governo, sobre se os municípios exerceram ou não competências que deveriam eventualmente de ser pagas pelo Estado central. Mas a prioridade é resolver…

E respostas concretas, dentro dessa prioridade…

… Há um caso que é paradigmático: as autarquias do PCP estão a bloquear o maior investimento das últimas décadas da península e do distrito de Setúbal, que é o novo aeroporto do Montijo. Os autarcas do PS querem esse aeroporto porque sabem que isso vai criar mais emprego na região e vai ser uma oportunidade de desenvolvimento. Se existem questões de externalidades negativas, temos de as resolver. Não se pode é ter a postura de bloquear. E o apelo que faço aos autarcas comunistas que ainda restam no distrito de Setúbal é que não bloqueiem uma solução para o desenvolvimento do País.

O facto de estarmos hoje em crise e de o Turismo ter recuado, não significa que não voltaremos a ter a situação que tínhamos há um ano. Por isso, há uma emergência do País, um interesse do País, de fazer o aeroporto. E o distrito de Setúbal tem a sorte da possibilidade desse aeroporto ser mesmo localizado no Montijo. Não abandonaremos esse desígnio.

Acha que é possível a execução do projecto neste momento, face a essa retracção, do Turismo, das ligações aéreas, entre outros efeitos causados pela pandemia?

Temos de preparar o País para a retoma. Isso implica manter a capacidade produtiva do País e também continuar com aqueles instrumentos que já se encontravam programados. O aeroporto não é uma necessidade futura é uma necessidade actual, como se mostrou antes da pandemia. A questão pandémica é transitória.

O aeroporto voltará a ser bandeira eleitoral, como foi nas últimas autárquicas na região?

Não é só bandeira eleitoral. É muito importante para o País. E é importante que os autarcas do PCP, que estão a bloquear essa situação, saiam dessa posição e viabilizem a construção de um investimento estruturante para o distrito de Setúbal e para o País.

Que estratégia vai o PS apresentar para a captação de fundos comunitários para a península de Setúbal?

Vamos ter agora várias realidades. Temos uma realidade mais flexível da parte do funcionamento dos quadros comunitários. Temos uma nova realidade relativamente a fundos que vão ajudar a financiar o fundo de recuperação e resiliência do País e é nesse quadro que a península de Setúbal se deve posicionar no debate que vai agora haver sobre esse fundo de resiliência. É importante que todos tenhamos a consciência de que as regras tradicionais de utilização de fundos são regras que estão a evoluir.

Mas vai ser melhor do que alguma vez foi?

Será no País melhor do que alguma vez foi e, por isso, temos de estar bastante atentos. Temos uma posição muito interessante no distrito de Setúbal: temos as maiores infra-estruturas portuárias, podemos ter no Montijo o complemento da maior infra-estrutura aeroportuária e temos as maiores empresas exportadoras. Tudo isto faz com que o distrito de Setúbal seja o coração do desenvolvimento económico do País e é evidente que tem de haver uma grande atenção por parte daquilo que são os investimentos com esta parte do território.

Enquanto presidente da federação do PS, que propostas gostaria de ver incluídas no próximo Orçamento do Estado (OE) para a região? A construção do novo edifício do Hospital de Setúbal, o Hospital do Seixal…

… O mais importante do próximo OE é que tenha uma resposta à protecção dos rendimentos, à protecção das empresas. Com esta crise, que se iniciou de forma pandémica mas que depois tem uma forte repercussão económica e social, a nossa prioridade deve ser a protecção dos rendimentos das famílias e do emprego, protegendo por isso as empresas. Esse deve ser o nosso foco, mais do que pensar numa ou noutra obra, que vão ser feitas e têm de ser feitas.

No distrito, apenas duas das 13 câmaras municipais são presididas no feminino. Inês de Medeiros, por sinal eleita pelo PS em Almada, e Maria das Dores Meira, pela CDU em Setúbal. No País, há 32 mulheres na presidência, de entre um total de 308 municípios. O PS pode fazer crescer o número no distrito já em 2021? Em Setúbal, por exemplo, onde pretende apresentar uma candidatura forte?

De repente estou a lembrar-me de uma mulher que será a próxima presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, que é a deputada Clarisse Campos. Estamos empenhados na sua eleição. Setúbal vai ter uma candidatura forte e aglutinadora, como merece e está a precisar.

Acha que uma candidatura de Dores Meira a Almada pode baralhar as contas?

As pessoas em Almada estão satisfeitas com a presidente Inês de Medeiros, que tem um grande carisma, vestiu a camisola e defende Almada. Estou convencido de que Almada não precisa de ninguém de fora, muito menos para voltar para trás. Inês de Medeiros é a imagem do cosmopolitismo, da modernidade e do desenvolvimento que precisamos e penso que os cidadãos vão reconhecer o trabalho feito e vão mesmo reforçar a maioria do PS na Câmara de Almada.

À Visão, António Costa avançou com a hipótese de o próximo secretário-geral do PS poder ser uma mulher. Depois, ao mesmo órgão, foi Luísa Salgueiro, presidente da Câmara de Matosinhos, a apontar Ana Catarina Mendes como uma das mulheres que estão preparadas. Quer isso dizer que do distrito de Setúbal poderá vir a sair uma primeira-ministra?

António Costa estará como líder do PS durante muitos e bons anos. Todos os militantes do PS, sejam homens ou mulheres ou de que federação forem, são potenciais candidatos, desde que tenham o tempo de militância e a propositura dos militantes. Mas isso está tão longe que é muito extemporâneo estar a falar sobre isso.

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