29 Novembro 2020, Domingo
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Márcia: “Sinto que valorizamos cada vez mais a experiência de estarmos juntos”

Com um percurso ascendente que classifica de “feliz”, a artista considera que é uma bênção partilhar a sua música com o público. Em tempos de cuidados e precauções devido à pandemia, a autora afirma que se vive uma “nova liberdade”

 

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A Câmara da Moita assinala o Dia Mundial da Música a 2 de Outubro, com um concerto protagonizado pela cantora Márcia, considerada “um dos talentos maiores da composição em língua portuguesa”. À conversa com O SETUBALENSE, a cantautora faz uma retrospectiva de uma carreira com 10 anos, fala sobre a actuação a solo que trará ao Fórum Cultural José Manuel Figueiredo e de outras apresentações que fará ainda este ano pelo distrito.

Após o lançamento do seu último álbum – Vai e Vem –, em 2018, e de uma interrupção forçada para todos com a chegada da pandemia, como está a decorrer este regresso aos palcos?

Está a ser muito emotivo, o regresso. Sinto que valorizamos cada vez mais as actuações ao vivo, valorizamos a experiência de estarmos juntos. É uma bênção estarmos a viver a música que fazemos, partilhando-a em palco com o público, temos cada vez mais noção disso. Saber que o podemos fazer, porque tomamos precauções e os devidos cuidados, é uma nova liberdade.

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Que retrospectiva faz do seu percurso, desde o lançamento do EP “A Pele Que Há em Mim” até ao último trabalho?

Eu vejo-o como um percurso consistente, ascendente e feliz.

Tem se dedicado também a escrever para outros artistas… como é que a Márcia cantora encara o seu lado criativo enquanto autora?

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Sinto-me sempre a mesma pessoa, a cantar ou a compor. Tudo são interpretações do mundo e partilha de experiências. Deixa-me muito feliz ter a profissão que representa o que mais gosto de fazer.

Afirmou recentemente que é “quase mágico” quando lhe surge uma melodia para poder começar a escrever… e quando não a tem, como lhe surge a inspiração?

É muito mais difícil quando não surge a melodia, mas acontece ter alguma coisa para dizer e procurar a maneira mais bonita de a expressar. Se não aparece a melodia, vou atrás dela.

Fez várias parcerias com outros músicos… qual a razão principal para se sentir atraída por duetos?

Gosto muito de partilhar tudo, gosto de viver em comunhão com quem tenha os mesmos valores que eu. Não me sinto atraída por duetos, sinto-me atraída por outros músicos e, às vezes, acabamos por nos juntar em disco ou em palco.

Além da música, a pintura também faz parte da sua vida. Que diferenças encontra nestas duas formas de arte?

São muito diferentes, mas têm ambas uma coisa em comum: expressam aquilo que só existe no indivíduo que as cria.

2019 ficou marcado pela sua passagem pelo festival NOS Alive e por um concerto, em Dezembro, no Coliseu de Lisboa. Que balanço faz do último ano?

2019 foi um ano abençoado para mim. Fiz muitos concertos pelo país inteiro, tive enormes manifestações de afecto por parte do público. Foi muito importante celebrar uma carreira de 10 anos no Coliseu dos Recreios, foi uma noite muito feliz para a qual trabalhamos muito, em conjunto, eu e os músicos, técnicos e a minha agência (Arruada). Tenho muito orgulho por ter conseguido desfrutar desse dia. O NOS Alive foi uma alegria, dois concertos num dia naquele sítio vibrante e, noutro, uma surpresa no dia anterior. Também consigo destacar os concertos que dei no Porto, Loulé e no Brasil. Em todos senti que tinha uma grande adesão, e sobretudo que havia quem soubesse cantar as canções de cor. Isso é muito gratificante.

Nesta passagem pelo concelho da Moita, os seus fãs vão encontrar que tipo de espectáculo? “Vai e Vem” num passeio pela sua carreira?

Este será um concerto a solo. Tenho feito os dois formatos (a solo e com banda). Nos concertos a solo toco alguns dos temas que são mais conhecidos, mas só à guitarra. Por vezes canto ‘acapella’. Procuro mostrar um pouco da intimidade das canções, tirando algum tempo para desfrutar do público que se apresenta à minha frente.

E vamos contar com mais espectáculos pelo distrito? Já tem novidades em relação a um novo lançamento?

Vamos estar no Seixal, em banda, e em Alcochete ainda este ano, com a tour #marciaVaieVem. Quando tiver um novo trabalho, espero voltar!

Da lista de sucessos que integram os seus quatro álbuns, consegue nomear algum tema em especial para transmitir como mensagem aos seus fãs?

Creio que a minha canção “Tempestade” se pode adequar a este momento nublado. Para mim ganhou mais sentido, ainda, aquele primeiro verso: “Espera sempre dos momentos alguma coisa que, ao passar, te leva mais além”. Isto tudo vai passar, temos de tentar que seja da melhor maneira possível.

A artesã de canções

Talvez muitos não saibam, mas as primeiras vezes que se ouviu a voz de Márcia, em disco ou em concerto, aconteceu a bordo de um grupo de dança à moda antiga – o Real Combo Lisbonense –, após uma primeira experiência com a banda Ana’s Blame.

Após uma interrupção para um estágio de cinema documental em Barcelona, a Warner apressou-se a contratar a cantora e edita “A Pele Que Há em Mim”, num dueto com J.P. Simões. A estudante de pintura na Faculdade de Belas Artes dá então início a um percurso musical, que em Maio de 2013 trouxe ao de cima o álbum “Casulo”. Seguiu-se “Quarto Crescente” (2015), gravado no Rio de Janeiro, e em 2018 lança o seu último trabalho “Vai e Vem”, álbum que no ano passado levou Márcia a ser distinguida com o prémio José da Ponte.

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