7 Março 2021, Domingo
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Utentes ganham abrigo à porta do centro de saúde de Samouco

Pedro Ferreira, presidente da junta de freguesia, diz que este era um dos objectivos do mandato

 

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A população de Samouco já tem, desde o início desta semana, condições de abrigo para aguardar por marcações e consultas à porta do centro de saúde local. As longas esperas, sobretudo de madrugada, são agora resguardadas por um telheiro que a junta de freguesia decidiu construir na fachada das instalações.

Em apenas uma semana, a construção – que desde logo protege os utentes das chuvas – ficou quase concluída e representou um investimento de apenas cerca de 6.500 euros. O montante pode ser considerado pouco elevado mas tem peso significativo nas contas da autarquia, afirma Pedro Jorge Ferreira, presidente da Junta de Freguesia de Samouco.

“O orçamento da junta, como toda a gente sabe, é escasso para os objectivos que temos. A realização da obra proporcionou-se agora, também por não termos feito algumas iniciativas habituais devido à pandemia”, explica o autarca. Certo é que a empreitada seria sempre concretizada antes do final do próximo ano, garante o presidente da junta. Até porque, justifica, “era um objectivo” do executivo CDU “para este mandato”.

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A necessidade da construção era reconhecida e a pandemia só veio reforçar essa urgência.
“Antes, as pessoas já não tinham quaisquer condições de abrigo para esperarem aqui fora. Agora com a pandemia, ainda menos, já que não podem aguardar pelas consultas no interior das instalações. Têm de esperar cá fora. Logo justificava-se ainda mais esta obra”, sublinha Pedro Ferreira. “Há quem tenha a possibilidade de aguardar dentro de viatura própria. Mas muitas pessoas não têm essa possibilidade”, lembra.

O investimento é visto com bons olhos pelos utentes, que são obrigados a plantarem-se de madrugada à porta do equipamento para conseguirem a marcação de consulta. João Manuel Serra, 52 anos, que conseguiu uma vaga para ser atendido, aguardava na sua viatura desde as seis horas da manhã. E reconheceu a mais-valia da obra. “É sempre bom para as pessoas, que assim passam a ter uma protecção para o mau tempo, de Inverno. É um benefício para a terra”, disse.

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Opinião idêntica tem Joaquina Barbosa, 47 anos, que chegou mais tarde. “Eram 6h30 e já não apanhei consulta. Tenho quatro pessoas à minha frente e só há três vagas”, lamentou, antes de dar aval à construção. “Tudo o que é feito para melhorar as condições das pessoas, neste caso no acesso ao centro de saúde, acho correcto.”

Faltam médicos e enfermeiros

Mas o foco da Junta de Freguesia de Samouco nesta extensão do Centro de Saúde de Alcochete não vem de agora. “Isto tem sido uma luta constante, tem sido uma bandeira nossa, neste mandato e nos anteriores. O centro de saúde de Samouco tem capacidade física instalada para albergar mais e melhores cuidados médicos”, revela Pedro Ferreira.

“Requer mais do que um médico para dar resposta a toda a população. No mínimo, mais um médico e um enfermeiro”, defende.

A junta de freguesia, frisa o presidente, tem “debatido muito” essa necessidade com director-executivo do Agrupamento dos Centros de Saúde Arco Ribeirinho, Miguel Lemos. “A nossa população merece, já não é tão pequena para contar apenas com uma médica. Mas têm ‘empurrado com a barriga para a frente’ o problema, têm protelado uma solução para esta questão”, critica, antes de deixar um breve histórico sobre o funcionamento da unidade de saúde na freguesia. “A população já chegou a estar privada de médico.

Mais recentemente, o centro de saúde fechou, sem se perceber porquê, e depois reabriu como centro Covid e a população ficou novamente prejudicada, sem médico”, recorda. Ao mesmo tempo deixa um alerta. “Samouco deve ter hoje 3 500 pessoas. Mas não podemos esquecer que temos nova população, oriunda de outros países, que ninguém consegue calcular em que número. E esses também vão necessitar de cuidados médicos”, aponta.
“Hoje temos infra-estrutura, falta só ter recursos humanos (médicos e enfermeiros)”, reitera o autarca. E a concluir deixa uma farpa à tutela. “Se não tem sido a Câmara Municipal de Alcochete a construir estas instalações, na altura, não sei como seria hoje o centro de saúde de Samouco. As antigas instalações já não tinham as mínimas condições para funcionar”, finalizou.

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