4 Março 2021, Quinta-feira
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“Os investimentos da Administração do Porto melhoraram a segurança, rapidez e deram acréscimo para receber navios”

O presidente a Comunidade Portuária de Setúbal, e da Tersado – Terminais Portuários do Sado, afirma que o Porto de Setúbal está na primeira linha de desenvolvimento neste sector, muito por via dos investimentos realizados pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra

 

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Porfírio Gomes considera que os investimentos feitos pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra têm a consistência de uma visão alargada que permite expandir a infra-estrutura portuária sadina a mais e novos negócios, e com isso alavancar as oportunidades de toda a comunidade que ali trabalha.

Para além de ter sido criada mais segurança e rapidez às operações portuárias, as dragagens relacionadas com o Projecto de Melhoria das Acessibilidades Marítimas ao Porto de Setúbal vieram abrir caminho a navios de maior calado. Agora, defende, é tempo de se avançar para investimentos nos acessos terrestres, estes muito mais na dependência da Infra-estruturas de Portugal. Pelo que diz saber, 2021 será um ano estruturante nesta fase de acessos ao Porto de Setúbal.

 

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Como observa os investimentos que a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra tem vindo a realizar na infra-estrutura portuária?

São investimentos que podem ser separados em duas áreas distintas, os de cariz local, que são exclusivamente no Porto de Setúbal e inteiramente patrocinados pela Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), e um outro mais de índole global.

No caso dos investimentos de cariz local, estes passam pelas acessibilidades marítimas e o VTS (Vessel Traffic System – Controlo do Tráfego Marítimo).

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Com o projecto das acessibilidades marítimas, passámos a ter mais dois metros de fundo no canal, que também foi alargado, portanto foi melhorada a segurança dos navios que neste momento já nos visitam e agora têm a possibilidade de entrar em qualquer maré, ou seja, já não precisam de esperar pela subida da mesma. Também era apenas possível manobrar um navio de cada vez, mas hoje o canal já permite que dois navios se cruzem.

Por sua vez o VTS, veio introduzir melhorias tecnológicas no auxílio à navegação dentro do sistema portuário.

Portanto, com a junção dos dois projectos locais, foi melhorada a segurança e capacidade de entrada e saída de navios, a qualquer hora, o que nos deu acréscimo na capacidade de receber alguns navios.

Como investimento de cariz global, mais a nível do País, temos a introdução da Janela Única Logística, que é uma plataforma informática que incorpora em si uma nova versão da Janela Única Portuária, mas com âmbito bem mais alargado.

Até ao final do mês passado, quando foi desactivada, usávamos a Janela Única Portuária, actualmente estamos a trabalhar em cima da Janela Única Logística. Esta é muito mais do que a Janela Única Portuária porque abrange tudo o que são portos secos, tudo o que são transportadores rodoviários e ferroviários, portanto há uma integração muito maior da actividade logística.

Ou seja, enquanto a Janela Única Portuária – que já era um programa informático de controlo portuário avançado a nível dos parceiros da Europa – se preocupava apenas com todos os intervenientes dentro da área portuária, com a Janela Única Logística tudo foi bastante mais alargado e passámos a ter também um controlo muito maior das actividades logísticas que se encaixam com a actividade dos portos.

Assim, com a Janela Única Logística, estamos muito mais avançados e ao nível de tudo o que se está a fazer no quadro da comunidade portuária, porque o objectivo é integrar todos os países numa plataforma de comunicações quanto aos navios que circulam a nível europeu. Há um conjunto de informação a que todos passam a ter acesso de forma digitalizada.

Este é um projecto nacional em que Setúbal também está presente. Não vamos perder o comboio, pelo contrário, aqui já arrancou.

 

Que novos desafios se abrem à Comunidade Portuária de Setúbal decorrentes desses investimentos?

Os dois projectos da APSS juntamente com o nacional – Janela Única Logística -, vêm dinamizar tudo o que é actividade logística.

Setúbal como infra-estrutura portuária é muito mais do que o porto em si, existe um outro conjunto de infra-estruturas de retaguarda como são o Parque Industrial Sapec Bay, a Bluebiz Global Parques e mais todo o parque automóvel que existe à volta do porto. Para além disso, existem várias empresas localizadas no hinterland Setúbal que fazem parte do todo do porto.

Esta novas acessibilidades marítimas vieram fazer com que, a curto prazo, possam existir ganhos de produtividade e permitir receber lotes maiores que venham em cada navio, pode permitir ir mais longe com as trocas comerciais directamente a Setúbal. Fundamentalmente para a componente de contentores que tem aqui um empurrão muito grande por passar a existir um conjunto de outras seguranças que antes não existiam, mais o facto do terminal de contentores ter agora um calado que permite receber navios que antes não entravam no porto; hoje esse terminal já pode receber navios para o calado que tem.

Para todos os outros terminais, o que já recebiam é o que vão continua a receber, porque são mais antigos e têm calados que não permitem navios muito maiores. Contudo, passam a receber todos os navios com melhores condições de segurança, para além de que estes não têm que ficar em espera na barra quando o tempo está mau ou existem vagas maiores.

 

As dragagens decorrentes do Projecto de Melhoria das Acessibilidades Marítimas ao Porto de Setúbal terminaram este mês de Dezembro. Em termos de terminais, nomeadamente da Tersado, existem condições para começar a operar já navios maiores?

O terminal multiusos concessionado à Tersado está naquela situação em que os navios que pode receber, já antes podiam entrar em Setúbal. O acréscimo que vem trazer à Tersado é essencialmente segurança e rapidez na entrada e saída de navios.

Já no caso do terminal de contentores Sadoport, aí sim, já pode vir a aportar navios maiores e tem condições para dar resposta a nível de infra-estruturas. Já quando a supra-estruturas, por certo que o concessionário está à vontade para dar resposta logo que seja necessário. Isto até porque é um dos terminais em Setúbal que tem estado a crescer, isto se não for o único que tem crescido, apesar da crise.

Não quero ‘meter foice em seara alheia’, mas creio que a Sadoport está com os olhos postos no que está a acontecer e não descarto que quanto aos investimentos que tenham de ser feitos em termos de equipamentos esteja disponível para os fazer.

 

Se houver um crescimento de mercado, que investimentos são necessários realizar ao nível dos terminais?

No caso da Tersado temos neste momento previstos projectos, não posso avançar ainda quais, mas são a nível de infra e supra-estruturas que irão avançar a muito curto prazo, e também em novo equipamento. Isto para fazer face ao volume, não de clientes novos, que são já do porto de Setúbal, mas em cargas novas. Os terminais de carga geral, como é o da Tersado, estão constantemente a ser confrontados com tipologia de cargas diferentes, e os próprios equipamentos que temos vão mudando ao longo do tempo. Neste momento estamos precisamente numa fase em que temos de nos equipar para responder aos nossos clientes que apresentam necessidades novas.

 

Embora o Porto de Setúbal seja, em termos de movimentação de mercadorias por via férrea, considerado o segundo maior do País, tem constrangimentos nas operações de carga nas ligações terrestres. Qual o ponto de situação quanto a vias ferro-rodoviárias?        

O projecto está a andar, penso que brevemente deverá entrar em fase de consulta pública e adjudicações.

Aquilo que começou como um projecto pequeno da APSS, veio a ganhar maior âmbito que, também sendo patrocinado pela administração portuária, passou a ser coordenado pela Infraestruturas de Portugal. É um projecto mais abrangente como a electrificação da linha férrea de acesso ao Porto de Setúbal com provável mexida em passagens de nível, portanto passou a ser mais do que só agir sobre o interface do porto. Dai uma maior demora, porque o projecto teve de ser refeito.

 

Para quando o arranque desse projecto?

Pelas informações que tenho, depois de terem acabado as dragagens, vai começar a intervenção na parte de terra. Será em 2021.

Pretende-se a electrificação de todos os acessos aos terminais melhorando a capacidade nos mesmos. Implica fazer áreas de manobra no lado exterior aos terminais, ou seja, actualmente, para uma composição de 700 metros – que é o normal – entrar dentro do porto tem de o fazer sendo dividida em duas ou três vezes, o que se pretende é que isso não seja necessário melhorando assim em muito a rapidez de entrada e saída das composições, para isso é preciso electrificar as linhas até à porta dos terminais.

No exterior, deixou de se pensar só ao nível da zona portuária. Existem alguns constrangimentos já identificados pela Infraestruturas de Portugal, caso de passagens de nível e troços para electrificar, é também por isso que o projecto tem um maior alcance.

 

E ao nível das acessibilidades rodoviárias?

Desde que entrou em vigor o troço que liga desde a antiga EDP até às Casas Amarelas, temos estado relativamente calmos em termos de pressão sobre o porto, embora não estejamos completamente descansados.

Há, no entanto, a preocupação de todas as entidades da Comunidade Portuária de Setúbal, da APSS, da própria Câmara Municipal de Setúbal e Protecção Civil relativamente à Estrada Nacional 10-4 que, em determinadas horas, tem um tráfego muito intenso, para além de ter pontos de estrangulamento e perigosidade. Para além disso, é uma estrada que não tem alternativas, se existir um acidente que obrigue a cortar o trânsito não há por onde se passar. Está levantada a necessidade de se fazer um projecto que conceba opções a esta via, não só na melhoria do acesso que existe, como criar alternativa para situações de emergência.

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