28 Fevereiro 2021, Domingo
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Pais e professores continuam preocupados com falta de computadores para os alunos

Agrupamento Ordem de Sant’Iago é um dos poucos no concelho onde todos os estudantes têm já meios tecnológicos

 

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As aulas à distância voltaram a ser uma realidade há cerca de duas semanas para a grande maioria dos estudantes. De uma forma geral, o balanço que pais e professores fazem é positivo, também em grande parte pela experiência que adquiriram no terceiro período do passado ano lectivo, altura em que o ensino se desenvolveu também em regime não-presencial.

No entanto, a opinião é unânime dentro da comunidade escolar: existem ainda algumas ‘pontas a limar’. As situações “mais críticas”, segundo explicou Orlando Serrano, presidente da Federação Concelhia de Setúbal das Associações de Pais (COSAP), a O SETUBALENSE, estão “relacionadas com as tecnologias e com o plano tecnológico avançado pelo Governo”, uma vez que “nem todos os computadores requisitados chegaram às crianças”.

“Temos informação de que aquelas [crianças] que têm apoio do Serviço de Acção Social ou da Acção Social Escolar com o escalão A e B já possuem computador, mas os restantes não o têm ainda, o que dificulta o acompanhamento dos pais aos filhos porque estão a trabalhar a partir de casa”, revelou.

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Devido a esta questão, considera que “os pais estão a fazer um esforço acrescido”, em que acabam por ter de “trabalhar fora do seu horário”, nomeadamente “à hora do almoço e pós-aulas”. A situação acaba por se agravar “a partir do 2.º ciclo, onde os horários são preenchidos e isso implica que haja uma gestão rigorosa sobre a utilização dos computadores e das tecnologias”.

Este problema é igualmente referido por Ricardo Oliveira, vereador da Câmara Municipal de Setúbal com o pelouro da Educação, em declarações a O SETUBALENSE, nas quais revelou que “há uma situação relativamente desequilibrada dentro dos ciclos de ensino, porque os equipamentos não podem ser distribuídos a qualquer criança, mas sim de acordo com as características do ciclo em que estão”.

“Sabemos [referindo-se à autarquia sadina] que há escolas que têm encontrado soluções para ultrapassar a falta desses equipamentos através de horas de apoio com um professor de apoio ou coadjuvante em ambiente escolar, mas é necessário assegurar e minimizar ao máximo os impactos na desigualdade que esta solução de ensino à distância provoca”, afirmou.

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Acesso à internet dificulta ensino na Lima de Freitas

No entanto, no Agrupamento de Escolas Lima de Freitas, para a directora Dina Fernandes “o problema nem são os computadores, mas sim o acesso à internet”.

“Há muitas famílias que não têm internet e há situações em que os alunos têm dificuldade em aceder devido à sua velocidade. Também acontece devido ao facto de estarmos muitos em casa a utilizar a mesma internet e acaba por ficar mais lenta ou até cair”, confessa. A solução que o agrupamento encontrou, segundo revela, foi disponibilizar “um gabinete com duas assistentes sociais, que avaliam e acompanham as famílias com estas dificuldades”.

Mesmo com “mais alunos com computador e acesso à internet” do que no passado ano lectivo, Dina Fernandes afirma que surgiu ainda um outro contratempo: “há muitas famílias que não têm literacia informática, ou seja, que não sabem como ajudar os miúdos a mexer nos equipamentos”. “Para estas situações temos, neste momento, uma equipa de professores de informática que vão todos os dias à escola, rotativamente. As famílias ligam e dizem qual é o problema. Se conseguirmos por telefone ajudar tudo bem, se não conseguirmos as pessoas vão à escola e têm esse apoio”, concluiu.

Ordem de Sant’Iago com 750 computadores entregues

Com a entrega de mais de 750 computadores, no decorrer da passada semana, aos alunos com os escalões A e B do Agrupamento de Escolas Ordem de Sant’Iago, o director Pedro Florêncio faz um balanço bastante positivo do trabalho desenvolvido neste período.

“No primeiro confinamento muitos alunos não tinham computador e funcionávamos com base no ‘vaivém’ de trabalhos, com entregas semanais e quinzenais à porta da escola. Para aqueles que tinham, não tínhamos nenhuma plataforma específica para podermos entrar em contacto com eles. Neste momento todos os alunos já têm computador e nós aperfeiçoámos as nossas técnicas e adquirimos uma plataforma – o Office 365”, conta.

“É muito engraçado porque os professores já vão descobrindo, e os alunos também, ferramentas muito interessantes que permitem facilitar, de alguma forma, o ensino à distância”, acrescenta.

Apesar de este não ser o seu sistema de ensino predilecto, também porque o agrupamento “pertence a um Território Educativo de Intervenção Prioritária”, Pedro Florêncio reconhece que a motivação demonstrada pela equipa de profissionais tem contribuído para o sucesso do ensino à distância.

“Ainda ontem [sexta-feira] estive a falar com professores e directores de turma que me diziam ‘Pedro, nem imaginas, eles agora estão a participar de uma forma mais massiva’. Acabaram também por estimular os alunos que não se identificam com esta metodologia, mas ainda assim nada que se equipare àquilo que são as estratégias presenciais, onde é importante mantermos contacto visual”, confessa.

Ordem de Sant’Iago planeia Clube de Artes e Filosofia

O Agrupamento de Escolas Ordem de Sant’Iago, a pensar já no futuro, tem planeado “um conjunto de estratégias, nomeadamente a criação de um Clube de Artes e Filosofia, com o objectivo único de sublinhar a importância das artes e das humanidades na formação dos seus alunos”, explicou o director Pedro Florêncio a O SETUBALENSE.

“Sabemos que muitas vezes a educação artística é desvalorizada, e secundarizada, em relação a outras áreas dos currículos e, por isso, [o clube] não terá um peso significativo na carga horária e não estará presente em todos os anos de ensino”, esclareceu.

Este novo espaço, clarifica, será também um local “para o desenvolvimento da reflexão e do pensamento crítico e criativo dos alunos, pois muitas vezes fica a faltar esta parte da conversa, que é muito importante para estruturar aquilo que são os seus pensamentos e a sua formação global e harmoniosa”.

No fundo, “será fazer com que eles tenham um pensamento mais informado, pessoal e eticamente comprometido”, concluiu.

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